20% dos professores dão aula em mais de uma escola; quadro envelhece 2015‑2025
No Brasil, docentes jovens caíram 31,1% e os com 60+ subiram 104,5%; em Goiás aumentam afastamentos por transtornos mentais.

Cerca de 20% dos professores da educação básica lecionam em duas ou mais instituições, o maior percentual entre 48 sistemas educacionais pesquisados.
A proporção é mais alta nos anos finais do ensino fundamental (34%) e no ensino médio (36%), e ultrapassa 50% em determinadas redes estaduais.
Relatório da Fundação Carlos Chagas aponta causas além da baixa remuneração: contratação por aula, jornadas parciais sem complementação, matrizes com poucas aulas, contratos temporários e escolas em múltiplos turnos.
Disciplinas como Física, Química, Filosofia, Sociologia, Biologia, Artes e Educação Física têm cerca de 40% dos docentes em mais de uma escola; Português e Matemática, cerca de 20%.
Pesquisa com 713 professores mostrou que 9 em cada 10 desejam trabalhar em uma única escola; os pesquisadores recomendam jornada de 40 horas, garantia de ao menos 1/3 da carga para atividades sem alunos e limite de 30% para contratos temporários.
Entre 2015 e 2025, o número de professores do ensino médio com até 24 anos caiu 31,1% e o contingente com 60 anos ou mais cresceu 104,5%.
Contratos temporários subiram de 146 mil para 205 mil (alta de 40,4%), e a proporção de concursados na rede pública caiu de 67,2% para 54,1%.
Em Goiás, 1 em cada 5 estudantes da UFG abandona o curso antes de concluir o primeiro ano, com evasão mais alta nas licenciaturas de Física, Matemática e Química nos câmpus do interior.
A UEG encerrou 48 cursos presenciais em seis anos, e o número de câmpus caiu de 45 para 40; no IFG—câmpus Cidade de Goiás, a comunidade aprovou suspensão de novas turmas em Artes Visuais e Cinema e Audiovisual.
O Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás determinou que a Prefeitura convoque aprovados no Concurso Público 001/2020 para suprir 1.564 vagas; a administração municipal informou que mais de 6 mil servidores efetivos da rede estão afastados.
Pesquisa de pós‑graduação relaciona adoecimento psíquico dos docentes à organização do trabalho e a programas estaduais como Saego, PROBEN e AlfaMais Goiás; 68% relatam perda de autonomia pedagógica por apostilas padronizadas e controle burocrático das CREs.
Entre 2019 e 2024, o quadro de professores efetivos da rede estadual caiu 17% e os contratos temporários aumentaram 34%; temporários acumulam, em média, 32% mais turmas que concursados e 58% dos professores relatam 'presenteísmo'.
Dados oficiais registram aumento de licenças por transtornos mentais (CID‑F): em 2023 foram 2.963 licenças envolvendo 1.405 servidores; servidores afastados passaram de 601 (2020) para 902 (2021), 1.137 (2022) e 1.405 (2023); percentual geral de afastamento subiu de 1,43% para 3,10%.
Entre os docentes afastados, 86% eram mulheres, 71% tinham renda familiar inferior a três salários mínimos, 63% acumulavam múltiplos vínculos; diagnósticos registrados: depressão 38%, ansiedade generalizada 29% e síndrome de Burnout 18%.
Na rede municipal de Goiânia, as licenças variam de sete a mais de 30 dias, com média de 14 a 15 dias por ocorrência.