Brasil volta a ser devedor na balança externa após 19 anos
Reservas e créditos somam cerca de US$ 402 bilhões, valor insuficiente para pagar todas as obrigações externas.

Após 19 anos, o Brasil voltou à condição de devedor na balança externa.
O estoque de reservas somado aos créditos brasileiros no exterior alcança cerca de US$ 402 bilhões, valor que deixou de cobrir o conjunto das obrigações externas.
O avanço do endividamento externo superou o crescimento das reservas e de outros ativos fora do país, reduzindo a diferença entre ativos e passivos internacionais.
Em janeiro, a dívida externa bruta chegou a US$ 397,5 bilhões; em março, as reservas internacionais eram cerca de US$ 372 bilhões, e a margem positiva, ao considerar outros créditos, encolheu para aproximadamente US$ 10 bilhões.
Cerca de 70% da dívida externa corresponde a títulos denominados em reais detidos por não residentes.
O endividamento externo agrega compromissos do governo, do Banco Central, de bancos e de outros setores da economia.
A mudança não significa, por si só, incapacidade de pagamento: a avaliação da vulnerabilidade externa depende do prazo das dívidas, da disponibilidade de moeda estrangeira, da composição dos credores e das condições de financiamento.
O principal ponto de atenção é a menor margem para absorver choques externos, o que aumenta a sensibilidade da economia em períodos de restrição de crédito ou saída de capitais.
US$ 402 bilhões — reservas mais créditos brasileiros no exterior
US$ 397,5 bilhões — dívida externa bruta em janeiro
US$ 372 bilhões — reservas em março
US$ 10 bilhões — margem positiva aproximada após considerar outros créditos
70% — participação de títulos em reais detidos por não residentes