Evangélicos rejeitam uso eleitoral de igrejas, aponta pesquisa Iser/Quaest
Levantamento com 15 mil entrevistas mostra alta oposição a indicações de voto e campanhas dentro de templos

A maioria dos evangélicos rejeita que igrejas virem espaço de campanha: 83% são contra indicação de voto por pastores, 82% contra discussão política em cultos e 90% contra campanhas em espaços religiosos.
A pesquisa Iser/Quaest foi feita com 15 mil entrevistas presenciais em 412 municípios, em janeiro e fevereiro deste ano, inclui as 27 capitais e tem margem de erro de 1%.
O pastor Lucas Oliveira, 30 anos, da igreja batista de Nova Iguaçu, disse: "O voto deveria ser do cidadão e não da religião"; ele relata que líderes que fizeram campanha perderam fiéis.
O pastor Moisés Blanco, 46 anos, da Igreja Batista Peregrina, em Natal, participa da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, grupo contra o uso político dos templos.
A pesquisadora Lívia Reis, do Iser, afirma: "É mais correto falar em mediação religiosa do voto do que em transferência de votos"; ela diz que a politização dos templos aumentou desde os anos 1990 e intensificou-se a partir de 2018.
A pesquisa mostra que o segmento evangélico é heterogêneo e corresponde hoje a 29% da população brasileira, com 70% dos evangélicos sendo pentecostais, 17% protestantes e 10% evangélicos sem igreja.
Distribuição por denominação entre evangélicos: Assembleia de Deus 32%; outras denominações pequenas e médias 28%; evangélicos sem igreja 10%; batistas 10%; Congregação Cristã 7%; Igreja Universal 5%; Igreja do Evangelho Quadrangular 4%.
O catolicismo representa 50% da população: 31% são católicos praticantes e 19% não praticantes; práticas católicas mostram adaptação a entretenimento religioso e novas tecnologias.
A presença religiosa migra para o digital: 66% dos entrevistados usam o WhatsApp como espaço de articulação de comunidades religiosas online, segundo a pesquisa.