Goiânia discute retirada de árvores com previsão de mais calor e seca
Debate envolve critérios técnicos, responsabilidades municipais e compensações ambientais em casos recentes na cidade

Goiânia discute a retirada de árvores em meio à previsão de mais calor, baixa umidade e risco de queimadas.
O Cimehgo prevê prolongamento da estiagem e ondas de calor a partir de setembro de 2026 por influência do El Niño.
A Amma afirma que o manejo segue o Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU) de 2024, com vistorias técnicas de profissionais concursados e execução sob Anotação de Responsabilidade Técnica (ART).
A legislação municipal exige compensação ambiental; a Amma define quantidade e espécies das mudas como contrapartida, e o município oferece plantio gratuito pelo aplicativo Goiânia + Verde.
Dados do Censo 2022 do IBGE apontam que 89,5% das vias públicas de Goiânia têm arborização; em 2023 a cidade recebeu o título de Cidade Arborizada do Mundo pela ONU.
Casos recentes reacenderam o debate: na Avenida 136, no Setor Sul, Comurg substituiu árvores no cruzamento com as ruas 148 e 132 durante horário de pico após vistoria que apontou raízes comprometendo a calçada, e o proprietário deverá plantar 14 mudas — oito aroeira-pimenteira, quatro ipê-branco e duas resedá — como compensação.
Moradores do Setor Sul relataram retirada noturna de duas árvores na Rua 132-A; a Amma diz que a supressão foi autorizada após vistoria solicitada pela proprietária do imóvel.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) afirma que o licenciamento de podas e supressões em áreas urbanas é competência primária dos municípios, com atuação supletiva do Estado em cerca de 0,1% dos casos.
O Ministério Público pode fiscalizar irregularidades e solicitar ao município autorizações formais, análises fitossanitárias e relatórios de compensação ecológica.
O arquiteto e urbanista Fred Le Blue afirma que copas de árvores e áreas permeáveis regulam temperatura por evapotranspiração, ajudando a reduzir ilhas de calor e melhorar drenagem urbana.
"O fenômeno favorece chuvas no Sul e bloqueia frentes frias, contribuindo para condições mais secas e quentes no Brasil Central", disse André Amorim, gerente do Cimehgo.
Especialistas recomendam articular o planejamento da arborização com o Plano de Drenagem Urbana e o Plano Diretor Urbanístico de Goiânia como próximo passo concreto.