Governo reajusta Bolsa Família cinco dias antes do segundo turno
Piso sobe para R$ 691, média para R$ 777; aumento saiu por decreto em 17 de setembro e caiu nas contas ontem.
Bolsa Família foi reajustado e começou a cair nas contas ontem, cinco dias antes do segundo turno.
O reajuste cria despesa permanente: R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões por ano a partir de 2027, e não estava previsto no orçamento enviado ao Congresso.
O anúncio e a publicação do decreto ocorreram em 17 de setembro; o piso subiu de R$ 600 para R$ 691 (15,04%) e o valor médio por família foi de R$ 675 para R$ 777; o programa atende mais de 19 milhões de lares; o calendário de pagamentos vai até 30 de outubro, cinco dias após a votação.
O projeto que o governo enviou ao Congresso em agosto reservava R$ 157,1 bilhões para o programa em 2027 sem prever reajuste; a justificativa oficial é que o aumento é mera reposição pelo INPC acumulado de março de 2023 a agosto de 2026; o governo diz que fará remanejamento de verbas, principalmente da Previdência; há estimativas de necessidade de contingenciar até R$ 57,7 bilhões em 2027.
O governo afirmou que o reajuste é "mera reposição da inflação" — referência ao INPC acumulado entre março de 2023 e agosto de 2026.
A decisão saiu às vésperas da eleição; cabe ao eleitor responder na urna no domingo, avaliando não só o depósito, mas o momento da medida.
Crônica de Rogerio Pires, jornalista, professor e gestor público.