Hugo Motta enfrenta partidos menores por proposta de voto distrital misto
Proposta prevê metade das cadeiras por distritos, meta de transição entre 2030 e 2034 e exigirá PEC com quórum de três quintos.

Hugo Motta, presidente da Câmara e filiado ao Republicanos, defende a adoção do voto distrital misto, que dividiria vagas entre distritos e listas partidárias.
A transição prevista tem etapa intermediária em 2030 e conclusão do novo desenho em 2034, com regras a entrar em proposta de emenda à Constituição.
O modelo em análise daria a cada eleitor dois votos; metade das cadeiras seria ocupada por vencedores distritais e a outra metade por nomes eleitos em listas submetidas ao eleitor.
Hoje, deputados federais, estaduais, distritais e vereadores são eleitos pelo sistema proporcional, que soma votos nominais e partidários para distribuir vagas e depois determina quais candidatos assumem por unidade da Federação.
Críticos apontam risco de personalização política e redução da diversidade partidária; defensores dizem que distritos aproximariam representantes das regiões.
Partidos menores estão divididos: no PSOL, o deputado Tarcísio Motta disse que a bancada não consolidou posição, manifestou preocupação com clientelismo e compra de votos nos distritos e considerou aceitável voto em lista com paridade entre homens e mulheres, mas alertou que predomínio distrital prejudicaria partidos programáticos.
O PSB paulista, representado por Jonas Donizette, afirma que divisão territorial poderia aumentar representação de áreas menos populosas e reduzir concentração nas capitais.
Kim Kataguiri, deputado do Missão por São Paulo, considerou razoável uma fórmula que reserve metade das vagas para listas escolhidas pelos eleitores.
O PL anunciou posição contrária por meio do líder da oposição, Cabo Gilberto Silva, e calcula que o novo sistema reduziria sua presença parlamentar; a legenda elegeu 121 deputados federais em 2026, cerca de 22% da Câmara.
A articulação do Centrão também visa conter perdas de PSDB, União Brasil, PP e PSD — partidos que perderam cadeiras na eleição mais recente e integraram a coalizão que apoiou Motta na presidência da Câmara.
Será instalada uma comissão ou grupo de trabalho para organizar o debate, definir integrantes e elaborar parâmetros sobre proporcionalidade, tamanho dos distritos e composição das listas.
A mudança constitucional exigirá aprovação por três quintos dos votos em dois turnos na Câmara e no Senado para ser promulgada.
2030 — etapa intermediária prevista
2034 — conclusão do novo desenho prevista
121 deputados — número de deputados federais eleitos pelo PL em 2026
22% — fatia aproximada da Câmara ocupada pelo PL em 2026