IBGE estuda incluir comércio de drogas ilícitas no PIB
Metodologia começou em 2019; primeiros resultados estão previstos para 2028 e usam demanda, não só apreensões

O IBGE prepara metodologia para estimar a comercialização de drogas ilícitas no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.
Os primeiros resultados da nova metodologia estão previstos para 2028, como parte da revisão do Sistema de Contas Nacionais (SCN).
O estudo foi iniciado em 2019; em 2021 o IBGE fez uma primeira estimativa-teste e desde então técnicos aperfeiçoam os critérios.
A inclusão visa registrar, nas estatísticas econômicas, o dinheiro movimentado por transações voluntárias entre compradores e vendedores, sem tornar o tráfico legal.
A metodologia segue manuais internacionais, como o System of National Accounts (SNA) da ONU e um manual específico sobre atividades ilícitas.
Países que já estimam o mercado de drogas em suas contas incluem Reino Unido, França, Alemanha, Suécia, Holanda, Itália, Espanha e Hungria.
Por ser atividade clandestina, o IBGE prioriza a demanda para estimar o mercado, não apenas apreensões feitas pelas forças de segurança.
A estimativa simplificada considera três fatores principais: número de usuários × consumo médio × preço de venda.
Além do gasto dos consumidores, o cálculo precisa identificar origem do abastecimento (produção interna ou importações ilegais) e custos de produção e distribuição.
O objetivo é chegar ao Valor Adicionado Bruto (VAB), isto é, o valor que a atividade acrescenta à economia após deduzir insumos.
Deixar essas transações fora das contas pode distorcer dados de renda, consumo e poupança das famílias, segundo a lógica das Contas Nacionais.
A inclusão das drogas faz parte da revisão decenal do SCN, que atualiza conceitos, fontes de dados e métodos de cálculo.
Os primeiros números resultantes da metodologia estudada devem ser divulgados em 2028, quando o IBGE apresenta os resultados da revisão.