IF calcula R$ 298,4 bilhões em benefícios anunciados só em 2026
Maior parte são créditos subsidiados; governo elevou déficit de R$ 52 bi (jul) para R$ 80,9 bi (set) antes da reta final eleitoral

A Instituição Fiscal Independente calcula R$ 298,4 bilhões em benefícios anunciados só em 2026.
Do total, R$ 185,7 bilhões são crédito com juros subsidiados, R$ 63,2 bilhões são despesas primárias, R$ 30,6 bilhões são renúncia fiscal e R$ 18,9 bilhões são recursos de terceiros.
Em julho o governo previa déficit primário de R$ 52 bilhões para o ano; em setembro a previsão subiu para R$ 80,9 bilhões, e as medidas foram anunciadas a poucos dias do segundo turno da eleição.
Entre os itens citados estão o Desenrola, o reajuste do Bolsa Família, isenção do Imposto de Renda, subsídio aos combustíveis e expansão do Minha Casa, Minha Vida para a classe média.
A tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana foi prometida agora, mas seu impacto orçamentário aparece em 2027; o projeto de R$ 5 mil para microempreendedores só deve ir ao Congresso após as eleições.
A dívida pública chegou a 82,9% do PIB em agosto, equivalente a R$ 11,1 trilhões, e a equipe econômica anunciou contingenciamento de R$ 13,6 bilhões para tentar alcançar o piso da meta.
"O eleitor tem o direito de saber o preço antes de votar, e não depois", disse Rogerio Pires, autor do texto que analisa o pacote e questiona a falta de apresentação do custo total pelo governo.
O pacote concentra mais da metade do total em crédito subsidiado; o Tesouro se endivida a juros altos para emprestar a juros baixos, elevando a conta que recairá sobre o contribuinte.