João Santana: a máquina pública transforma direitos em moeda eleitoral
O editorial afirma que favores como consultas, obras e empregos viram dívida cobrada na urna — e pede romper esse ciclo.

João Santana, cidadão piranhense, historiador, publicitário, bacharel em Direito e editor do Jornal O+Positivo, critica o uso da máquina pública para conquistar votos.
Segundo ele, transformar obrigação do Estado em favor cria uma dívida política que é cobrada na urna, fortalecendo a própria máquina eleitoral.
Ele cita exemplos concretos: dinheiro, consultas, exames, cirurgias, atendimento hospitalar, agilização de aposentadorias, patrolamento de estradas rurais, garantia de emprego para familiar, tijolo, cimento, telha e recapeamento na frente de casa.
Santana diz que até equipamentos de fiscalização, como o pardal que multa, podem ser usados para gerar voto quando sua instalação vira motivo de gratidão ao gestor.
“A saúde não é direito de todos e dever do Estado?” é a pergunta que ele coloca para sublinhar que serviços públicos não são favores.
Ele afirma que o voto dado pela máquina não fideliza ao eleitor, mas ao gestor que organizou a votação, deixando o eleitor em segundo plano.
O editorial qualifica o fenômeno como um ciclo: a máquina gera voto; o voto fortalece a máquina; a máquina fortalecida gera mais voto — um “velho voto de cabresto vestido com roupa nova”, evocando a frase da música “gado a gente marca”.
Santana conclui com um chamado claro: romper essa engrenagem — não votar “no candidato da máquina” só porque a máquina atendeu um pedido; votar livremente em quem o eleitor acredita que o representará.