Outubro: flores nas ruas tornam o mês ideal para correr
Sibipiruna e pitanga em flor deixam corridas mais agradáveis; governo lançou o PlaNAU para valorizar espécies nativas até 2045
Outubro é o mês ideal para correr: muitas árvores nativas florescem e frutificam nas ruas.
Isso permite que corredores em São Paulo pisem sobre o “rio amarelo” de flores da sibipiruna e encontrem pitanga no pé durante saídas pela cidade.
O médico e professor Egídio Dórea, coordenador do programa 60+ da USP, diz que os benefícios da corrida para o sistema cardiorrespiratório e a disposição superam os riscos, inclusive para idosos.
A coluna lembra que a imprensa nota mortes de corredores durante ou logo após a prática, enquanto atividades diárias de grande escala, como os 150 mil voos comerciais diários, raramente viram pauta quando ocorrem sem incidentes.
A corrida permite longos deslocamentos sem equipamentos — às vezes muito além dos 42,2 km da maratona — e oferece prazer pela liberação de endorfina e pelo contato com a cidade.
Uma portaria editada neste ano pelo Ministério do Meio Ambiente criou o PlaNAU, plano nacional de arborização urbana, com diretrizes para valorizar espécies nativas e substituir ou controlar exóticas invasoras.
O PlaNAU define como meta ampliar até 2045 a parcela de moradores com três árvores ou mais no entorno de suas casas.
O botânico e paisagista Ricardo Cardim critica o alcance do programa: diz faltar obrigação de execução pelos municípios e um orçamento compatível.
Cardim propõe criar “uma agência nacional com força de lei” para fiscalizar e pesquisar, uma “Embrapa Paisagismo” para desenvolver espécies brasileiras e um mecanismo de obrigatoriedade de compras públicas de nativas.
Para fechar, a coluna cita Rubem Braga: “Ainda há sabiás nas palmeiras, ainda há esperança no Brasil.”