Quatro programas somam quase R$ 1,7 bi para água, recuperação e produção rural
Sertão Vivo, Recaatingar, Sanear Amazônia e Restaura Amazônia reúnem recursos e são apresentados pelo BNDES na COP17, em Ulaanbaatar.

Quatro programas — Sertão Vivo, Recaatingar, Sanear Amazônia e Restaura Amazônia — reúnem quase R$ 1,7 bilhão para adaptação climática, acesso à água e recuperação produtiva no Semiárido e na Amazônia.
Parte dessas iniciativas foi apresentada pelo BNDES na 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada até sexta-feira (28.08) em Ulaanbaatar, Mongólia.
O Sertão Vivo já tem R$ 1,025 bilhão em contratos com Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí e Sergipe e prevê alcançar 250 mil famílias rurais, cerca de 1 milhão de pessoas, priorizando agricultores familiares em vulnerabilidade.
O programa pretende implantar cerca de 20 mil estruturas de acesso à água e apoiar 84 mil hectares de sistemas produtivos resistentes à seca, com ações como quintais produtivos, sistemas agroflorestais, recuperação de solos e armazenamento de água.
O desenho ampliado do Sertão Vivo, apresentado em parceria com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, prevê mobilizar até R$ 1,8 bilhão e alcançar 439 mil famílias nos nove estados do Nordeste, condicionados à contratação das operações e à capacidade de execução dos estados.
O Recaatingar reúne R$ 60 milhões — metade aportada pelo BNDES e metade pelo Banco do Nordeste — para recuperar áreas degradadas da Caatinga, com seleção de 15 a 25 projetos de R$ 2 milhões a R$ 4 milhões e prazo de execução de até cinco anos.
Do total do Recaatingar, até R$ 55,2 milhões serão destinados diretamente aos projetos selecionados, que devem recuperar entre 50 e 100 hectares por iniciativa e combinar restauração da vegetação, sistemas agroflorestais, conservação do solo e da água e segurança alimentar.
A segunda rodada de apresentação de propostas do Recaatingar está prevista entre 15 de outubro e 14 de dezembro; podem participar organizações com capacidade de executar ações comunitárias, não produtores individuais.
O Sanear Amazônia reservou R$ 150 milhões para atender 4.626 famílias no Acre, Amazonas, Amapá, Pará e Rondônia, com tecnologias de captação, armazenamento e tratamento de água e acompanhamento para inclusão produtiva.
Em 2026, o Sanear Indígena ampliou o programa com mais R$ 150 milhões para atender 4.417 famílias — cerca de 20,8 mil pessoas — em 351 aldeias de 63 terras indígenas no Acre, Amazonas e Pará; esses R$ 150 milhões são adicionais e não estão incluídos na soma inicial dos quatro projetos.
O Restaura Amazônia prevê até R$ 450 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Amazônia para ações em Acre, Amazonas, Rondônia, Mato Grosso e outros estados da região amazônica.
O acesso dos agricultores dependerá da seleção, contratação, definição de beneficiários e implantação dos projetos nos territórios escolhidos, afirma o desenho dos programas apresentado em Mongólia.