Tribunal dos EUA questiona base legal das novas tarifas de Trump
Painel de três juízes pressiona o governo sobre a Seção 301 e pede decisão sobre lacunas jurídicas na audiência de quarta (30).

O Tribunal de Comércio Internacional dos EUA pressionou o governo Trump sobre a base legal das recentes tarifas globais anunciadas por Jamieson Greer.
Os juízes questionaram se o governo usou corretamente a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e se apresentou justificativas detalhadas para aplicar tarifas a dezenas de países.
Na audiência de quarta-feira (30), um painel de três juízes interrogou o advogado do Departamento de Justiça, Eric Hamilton, e o juiz Timothy Reif perguntou repetidamente qual parte específica da legislação Greer teria usado como fundamento.
Os magistrados também avaliaram a alegação de pequenas empresas e autoridades estaduais democratas de que as tarifas da Seção 301 seriam pretexto para reativar tarifas globais anteriores derrubadas pela Suprema Corte.
Pratik Shah, principal advogado dos autores da ação, pediu ao tribunal uma decisão sobre as questões jurídicas centrais para preservar a possibilidade de recurso, em vez de deixar a disputa indefinida.
O governo anunciou tarifas de 10% ou 12,5% sobre produtos de 60 economias que cobrem 86 países (a União Europeia, com 27 membros, conta como uma economia) — responsáveis por 99,4% das importações dos EUA.
No histórico, duas rodadas anteriores de tarifas usaram fundamentos diferentes: uma, baseada em poderes emergenciais, foi derrubada pela Suprema Corte no início deste ano e obrigou a devolver mais de US$ 166 bilhões; outra sofreu revés no Tribunal de Comércio em maio, antes de ser mantida por um tribunal de apelações durante o processo.
O CEO da Learning Resources, Rick Woldenberg, acompanhou a audiência e disse que o importante é que “as questões estão sendo examinadas” e que, além do dinheiro, preocupa-o o respeito ao Estado de Direito.
10% ou 12,5% — alíquota das tarifas anunciadas
60 economias / 86 países — alcance das tarifas (UE conta como 1 economia)
99,4% — participação desses parceiros nas importações dos EUA
US$ 166 bilhões — valor que o governo teve de devolver após decisão da Suprema Corte
O painel não informou quando pretende proferir a decisão e discutiu se daria a Greer oportunidade para corrigir eventuais lacunas processuais.