USP diz que revisão pode cortar piso do frete de grãos em até 11%
Alterar parâmetros como horas mensais e vida útil do caminhão reduziria piso calculado entre 6,38% e 11,04%.

Estudo da USP aponta que revisão da metodologia pode reduzir o piso do frete de grãos em até 11,04%.
A mudança em apenas um parâmetro poderia cortar entre 6,38% e 11,04%, dependendo da distância e da configuração do caminhão; em média, adotar 220 horas mensais reduziria 7,6% dos pisos.
A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) ampliou a pressão por mudanças após o estudo do Grupo Esalq-Log, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP, que identificou 17 pontos passíveis de aperfeiçoamento na fórmula.
O cálculo atual usa 181 horas mensais; o estudo propõe 220 horas, mais próximas da disponibilidade do veículo e do motorista, o que dilui custos fixos por hora.
A metodologia também considera vida útil do caminhão em sete anos; dados da ANTT mostram idade média de 16,4 anos, e simulações com vida útil próxima a 16 anos indicaram redução de 6% a 10% em custos para certas operações.
Os pesquisadores avaliaram ainda consumo de combustível, configuração e número de eixos, retorno vazio, produtividade e modalidades de contratação, e concluíram que uma fórmula única pode não representar a diversidade das operações.
Setor produtivo entregou 15 sugestões à ANTT, pedindo que o piso reflita o custo operacional efetivo e exclua despesas não desembolsadas; a nova lei prevê limite de pagamento de 30 dias úteis.
A Lei 15.485/2026 endureceu fiscalização: todas as operações remuneradas precisam de registro por CIOT conforme cronograma da ANTT, prevê multa de R$ 10,5 mil para infrações e medidas contra reincidentes.
"O que precisamos é de uma metodologia que remunere corretamente quem transporta, mas que seja baseada no custo real da operação", disse Isan Rezende, presidente do Instituto do Agronegócio e da Feagro-MT.
Os vetos à lei aguardam análise do Congresso, e a ANTT deve regulamentar o cronograma do CIOT e avaliar as 15 contribuições do setor como próximos passos.