7 de Setembro: Brasil plural, desigual e em eleições tensas
Em semanas de disputa polarizada, a data lembra identidade formada antes do grito do Ipiranga e as desigualdades visíveis no Recife.

A cada 7 de Setembro, a nação exibe diversidade e desigualdade ao mesmo tempo.
A data que virou feriado foi forjada por uma declaração conveniente para manter o poder, pouco mais de dois séculos atrás, e hoje chega em semanas de disputa eleitoral polarizada.
A identidade patriota se formou antes do grito do príncipe regente no Ipiranga e se prolonga até hoje em cores, sotaques e origens do Oiapoque ao Chuí.
No Recife, a riqueza cultural convive com palafitas, morros e semáforos que expõem diferenças claras de infraestrutura e qualidade de vida.
O sociólogo Gilberto Freyre postulou o equilíbrio pela mestiçagem; essa visão contrasta com um muro econômico e social que persiste aqui e ali.
Do litoral à floresta amazônica, do Serra da Saudade, em Minas Gerais, com menos de 1 mil habitantes, à cidade de São Paulo, com quase 12 milhões, o Brasil é marcado pela pluralidade territorial.
A celebração da pátria não pode virar propaganda eleitoral nem ser reduzida pela desigualdade transmitida por gerações.
A identidade coletiva exige empatia, solidariedade e sensibilidade, não indiferença, ódio ou exclusão.