Eleições em Pernambuco: 44 anos, duas idas ao 2º turno e forte presença de famílias políticas
Levantamento com dados eleitorais mostra padrões de reeleição, coalizões e tragédias que marcaram candidaturas estaduais

Pernambuco teve, em 44 anos de eleições diretas desde a redemocratização de 1982, apenas duas disputas que foram ao segundo turno (2006 e 2022).
Esse padrão se reflete nas coalizões partidárias: quando lideranças estaduais agregam partidos antes da eleição, disputas costumam ser decididas no 1º turno, diz o historiador Filipe Domingues.
O levantamento aponta sete governadores eleitos, três reeleições bem-sucedidas e duas tentativas de reeleição derrotadas desde 1982; em 44 anos o estado elegeu homens em dez ocasiões e uma mulher uma vez.
Miguel Arraes foi o único governador eleito diretamente que tentou reeleição e não conseguiu, em 1998; Mendonça Filho governou por nove meses em 2006 após a renúncia de Jarbas Vasconcelos e depois perdeu a tentativa de se eleger por voto direto.
Jarbas Vasconcelos, Eduardo Campos e Paulo Câmara obtiveram reeleição no 1º turno, segundo o levantamento eleitoral citado.
A força das famílias políticas segue visível: a governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) lideram pesquisas para o governo a partir de 2027; ambos são filhos de João Lyra Neto e Eduardo Campos, respectivamente.
Eduardo Campos morreu em um acidente aéreo em 2014 após renunciar ao governo para concorrer à Presidência; em 2022 o marido da então candidata Raquel Lyra, Fernando Lucena, morreu no dia da votação do 1º turno.
"A raridade do segundo turno não significa pouca competição; revela a força histórica das coalizões estaduais", afirma Filipe Domingues, que também observa que luto e memória podem modificar campanhas, mas não explicam sozinhos o voto.