Mendonça negou usar mansão de R$ 12 mi de Vorcaro como QG da PF em MG
A PF queria instalar o Grupo de Repressão à Corrupção e Lavagem de Dinheiro na casa de 2.697,56 m² no bairro Belvedere, em BH.

A Polícia Federal pediu autorização para usar a mansão de Daniel Vorcaro em Belo Horizonte como base operacional; o ministro André Mendonça negou.
A negativa mantém o grupo especial sem QG físico em Minas Gerais enquanto a nova sede, prevista para 2028, não fica pronta; as unidades provisórias funcionam em dois pequenos prédios locados.
A casa tem 2.697,56 m², fica na Rua Jornalista Djalma Andrade, bairro Belvedere, e está avaliada pela Prefeitura em R$ 12,48 milhões; a PF descreveu salas, áreas de lazer, espaço gourmet com bares, academia, spa e quadras de jogos.
A delegada Janaina Palazzo pediu a autorização para que o destacamento da Polícia Federal ocupasse o imóvel; Mendonça analisou o pedido e rejeitou o uso para funcionamento ordinário de unidade policial.
A PF diz ter localizado, durante diligências, a residência e um imóvel vizinho em reforma, e anotou que funcionários confirmaram que ambos pertenciam a Vorcaro.
A Prefeitura avaliou a primeira casa em R$ 12,48 milhões; o inventariante afirma que o imóvel foi vendido em 2022 por R$ 30 milhões à Super Empreendimentos e Participações S.A., representada por Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro, por contrato particular com cláusula de sigilo — caracterizado pela PF como "contrato de gaveta".
O imóvel vizinho ainda estava registrado em nome da Cemaf Participações e Administração de Bens S/A, que informou ter vendido a propriedade em abril de 2025 por R$ 20 milhões à Viking Participações Ltda., administrada por Vorcaro.
A PF registrou que a Viking firmou contrato de R$ 50 milhões para que a família do ministro Alexandre de Moraes assumisse cotas de duas aeronaves de Vorcaro.
No pedido, a PF justificou que o Grupo de Investigação para Repressão à Corrupção e Lavagem de Dinheiro em Minas Gerais foi recentemente criado e não possui espaço físico adequado; a corporação afirmou que o antigo prédio da década de 80 foi demolido e a nova edificação será entregue em 2028.
A PF afirmou também que não localizou obras de arte, joias, cofres, veículos, aparelhos eletrônicos nem dinheiro em espécie na mansão.
Mendonça escreveu que a casa tem natureza "eminentemente residencial e recreativa", com ambientes voltados ao lazer e ao uso privado, e que sua adaptação demandaria intervenções relevantes, custos de manutenção e risco à preservação do valor patrimonial.
Ministros do Supremo devem se reunir na próxima terça‑feira para decidir sobre a investigação que apura ligação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.