Programa Pão e Letra completa um ano alfabetizando população em situação de rua
No Recife, a política une ensino e bolsas mensais para reduzir evasão e encaminhar alunos à EJA

O programa Pão e Letra completa um ano de execução no Recife neste 8 de setembro, focado na população em situação de rua.
Da primeira turma de 30 atendidos nos Centros Pop Glória e Neuza Gomes, 26 concluiram a etapa inicial e 21 migraram para a Educação de Jovens e Adultos (EJA) municipal; em outra turma de 30, 18 finalizaram a fase preparatória e todos deram continuidade na EJA.
A Secretaria de Assistência Social e Combate à Fome do Recife (SAS) opera o programa, que combina formação pedagógica com bolsas financeiras mensais para conter a evasão escolar.
As bolsas têm quatro categorias para viabilizar permanência nas aulas: Iniciante, Estudante, Qualificação profissional e Multiplicador, com valores e critérios distintos.
A iniciativa é realizada em parceria com a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que apoia a metodologia via Programa de Educação Tutorial (PET) e grupos de pesquisa em práticas pedagógicas.
O diagnóstico do Censo da População em Situação de Rua do Recife (2022) embasou o projeto: 1.806 pessoas nessa condição, sendo 1.443 em logradouros e 363 em abrigos institucionais.
R$ 200 — bolsa Iniciante, paga no ingresso e durante atividades de letramento
R$ 300 — bolsa Estudante, para educandos encaminhados à EJA com tutoria
R$ 300 — bolsa Qualificação profissional, para cursos com duração superior a um mês
R$ 600 — bolsa Multiplicador, para egressos que mobilizam novos alunos
O diagnóstico social também apontou escolaridade e trabalho: 22% declararam não saber ler nem escrever; 38% abandonaram o Ensino Fundamental; 15% concluíram o Ensino Médio; 48% não tinham ocupação laboral, e 37% dos desempregados estavam sem trabalhar há mais de uma década.