Rio destina R$ 19,4 bi à segurança em 2026 — mais que saúde e educação
Mesmo com o maior orçamento para segurança, o estado registra altos índices de violência e mortes policiais.

O Rio de Janeiro deve destinar R$ 19,4 bilhões à segurança pública em 2026, mais que saúde (R$ 13,5 bi) e educação (R$ 10,9 bi).
Esse orçamento alto não impediu o estado de ter o maior número de policiais mortos no país, um dos piores índices de letalidade policial, elevada taxa de roubos, baixa taxa de apreensão de armas, alto número de feminicídios e fraco índice de esclarecimento de homicídios.
Em 2025 o Brasil gastou R$ 163,12 bilhões com segurança pública; os estados responderam por R$ 131,25 bilhões (80,5%), a União por R$ 18,09 bilhões e os municípios por R$ 13,77 bilhões.
Entre 2021 e 2025 a região Norte aumentou gastos com segurança em 38,4% e o Nordeste em 32,5%; Piauí cresceu 93,2% no período e o Acre 89,9%.
O Acre teve o maior gasto per capita em 2025 (R$ 1.486,52), seguido por Amapá (R$ 1.448,58), Roraima (R$ 1.384,40) e Rondônia (R$ 1.321,41).
Uma análise orçamentária de 2024 sobre 24 estados mostrou que, dos R$ 109 bilhões gastos com segurança e sistema prisional, R$ 52,2 bilhões foram para as polícias militares, R$ 20,2 bilhões para as polícias civis e R$ 2,5 bilhões para as polícias técnico-científicas.
A concentração de recursos em policiamento ostensivo ajuda a explicar a priorização de um “modelo de segurança pública de confronto, com essas operações policiais em comunidades, invasões com grande poderio bélico, com a compra de armas, de caveirão, de helicópteros blindados”, segundo avaliação citada na reportagem.
A área aparece como prioridade eleitoral: 66% dos eleitores apontaram a segurança pública como a pior área do governo; o tema integra a série especial sobre segurança nas eleições de 2026.
Provisoriamente, o estado é chefiado pelo desembargador Ricardo Couto, que presidia o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e assumiu o governo após crise sucessória.