Rússia faz eleições para renovar a Duma; Putin busca legitimidade interna
Votação começa nesta sexta e vai até domingo; Rússia Unida tenta manter maioria em eleição sem oposição real

A Rússia realiza desta sexta até domingo eleições para renovar as 450 cadeiras da Duma Estatal e eleger governadores em 11 regiões.
O resultado pode selar a continuidade do apoio interno a Vladimir Putin: o Rússia Unida parte com 324 cadeiras na atual Duma e busca ampliar sua maioria.
Concorreram nas listas nomes de peso como o ministro das Relações Exteriores Sergei Lavrov e o prefeito de Moscou Sergei Sobianin, ambos aliados de Putin; o correspondente de guerra Yevgeni Podubni também figura nas listas do partido governista.
Cerca de 200 candidatos que serviram no conflito na Ucrânia disputam vagas, e perfis militares aparecem no Rússia Unida e em partidos como o Partido Liberal Democrático.
O Partido Comunista tem 57 cadeiras hoje; Rússia Justa e Partido Liberal Democrático reúnem cerca de 30 deputados cada; nenhuma dessas formações questionou a ofensiva contra a Ucrânia.
O próprio Putin vinculou o voto à guerra, afirmando que ir às urnas demonstra que “somos um povo unido por valores comuns, pela memória histórica e pelo amor à nossa pátria”.
A exclusão do partido Yabloko, confirmada pela Justiça em agosto por suposto financiamento irregular, agrava a falta de concorrência: Yabloko teve 750 mil votos (cerca de 1%) nas últimas eleições.
As votações ocorrem também em territórios ocupados, como a Crimeia e partes do leste ucraniano; a Ucrânia classificou a eleição nesses territórios como uma “farsa” e antecipou que o voto ali será considerado nulo.
450 — cadeiras da Duma Estatal
324 — assentos atuais do Rússia Unida
49,8% — votos do Rússia Unida em 2021
57 — cadeiras do Partido Comunista
750 mil (~1%) — votos de Yabloko em 2021
cerca de 200 — candidatos veteranos do conflito
A votação acontece entre esta sexta e domingo, com apuração prevista ao término do período eleitoral.