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Três meses após enchente, famílias de Olinda não receberam Auxílio Pernambuco de R$ 2,5 mil

Das 3,5 mil famílias que receberam verba estadual, muitas atingidas pelo rompimento do rio Beberibe em 1º de maio ficaram de fora

Redação POLITICA.PE20 de ago. de 2026 · 19h024 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Três meses após enchente, famílias de Olinda não receberam Auxílio Pernambuco de R$ 2,5 mil
Reprodução: marcozero.org

Três meses após as chuvas de 1º de maio que deixaram seis mortos, quase 3 mil desabrigados ou desalojados em Pernambuco, moradores de Peixinhos, em Olinda, seguem sem receber o Auxílio Pernambuco de R$ 2,5 mil.

O governo Raquel Lyra (PSD) destinou R$ 8,75 milhões a 3,5 mil famílias nos 27 municípios com emergência, mas apenas 726 dos 4 mil cadastrados em Olinda receberam pagamento — 18,15% dos cadastros.

Somente Olinda, Recife e Goiana cadastraram 13.782 pessoas após as chuvas; esse total é quase quatro vezes maior que as 3,5 mil famílias beneficiadas pelo governo estadual em todo o estado.

Nas comunidades Beira-Rio, Condor, Cabo Gato, Boa Esperança, Cuscuz e Embalo, moradores relatam perdas de móveis, eletrodomésticos e casas ainda com rachaduras; muitas famílias dependem de doação ou aluguel temporário.

Moradores em situação de Bolsa Família contaram que casas racharam e ficaram ilhadas durante a cheia; Ketilyn Ferreira, 23, relatou que teve de ser resgatada pelo pai e irmão e que a casa voltou a sofrer com a última cheia em julho.

Em contraste, em 2022 o governo estadual destinou R$ 150 milhões para 100 mil famílias após enchentes que mataram 130 pessoas e deixaram quase 130 mil desabrigados; naquele ano o auxílio foi de R$ 1,5 mil e prefeituras, como o Recife, complementaram para chegar a R$ 2,5 mil.

"Como o auxílio foi para as pessoas que tinham crianças, pessoas que perderam a casa, a gente ficou sem entender porque não recebeu", disse Andreza Beatriz, moradora de Cuscuz, sobre o não pagamento do benefício à família.

Alexandre José, de 40 anos, que mora há mais de dez anos às margens do Beberibe, disse que perdeu tudo e que teve de usar o pouco dinheiro que recebeu para recuperar o bote com que trabalha, afirmando: "Não chega ninguém para ajudar a gente aqui, não. A gente é esquecido."