Três meses após enchente, famílias de Olinda não receberam Auxílio Pernambuco de R$ 2,5 mil
Das 3,5 mil famílias que receberam verba estadual, muitas atingidas pelo rompimento do rio Beberibe em 1º de maio ficaram de fora

Três meses após as chuvas de 1º de maio que deixaram seis mortos, quase 3 mil desabrigados ou desalojados em Pernambuco, moradores de Peixinhos, em Olinda, seguem sem receber o Auxílio Pernambuco de R$ 2,5 mil.
O governo Raquel Lyra (PSD) destinou R$ 8,75 milhões a 3,5 mil famílias nos 27 municípios com emergência, mas apenas 726 dos 4 mil cadastrados em Olinda receberam pagamento — 18,15% dos cadastros.
Somente Olinda, Recife e Goiana cadastraram 13.782 pessoas após as chuvas; esse total é quase quatro vezes maior que as 3,5 mil famílias beneficiadas pelo governo estadual em todo o estado.
Nas comunidades Beira-Rio, Condor, Cabo Gato, Boa Esperança, Cuscuz e Embalo, moradores relatam perdas de móveis, eletrodomésticos e casas ainda com rachaduras; muitas famílias dependem de doação ou aluguel temporário.
Moradores em situação de Bolsa Família contaram que casas racharam e ficaram ilhadas durante a cheia; Ketilyn Ferreira, 23, relatou que teve de ser resgatada pelo pai e irmão e que a casa voltou a sofrer com a última cheia em julho.
Em contraste, em 2022 o governo estadual destinou R$ 150 milhões para 100 mil famílias após enchentes que mataram 130 pessoas e deixaram quase 130 mil desabrigados; naquele ano o auxílio foi de R$ 1,5 mil e prefeituras, como o Recife, complementaram para chegar a R$ 2,5 mil.
"Como o auxílio foi para as pessoas que tinham crianças, pessoas que perderam a casa, a gente ficou sem entender porque não recebeu", disse Andreza Beatriz, moradora de Cuscuz, sobre o não pagamento do benefício à família.
Alexandre José, de 40 anos, que mora há mais de dez anos às margens do Beberibe, disse que perdeu tudo e que teve de usar o pouco dinheiro que recebeu para recuperar o bote com que trabalha, afirmando: "Não chega ninguém para ajudar a gente aqui, não. A gente é esquecido."