Após denúncia de vereador, presidente da Câmara de Caxias propõe “CPI do Cascalho”

A política de Caxias do Sul ganhou novos contornos nesta semana após a denúncia feita pelo vereador Hiago Morandi (PL) sobre um suposto desvio de brita da subprefeitura de Vila Cristina. Dois dias depois de anunciar o rompimento com a base do governo Adiló, o presidente da Câmara, Wagner Petrini (PSB), afirmou que irá protocolar o pedido de abertura da chamada “CPI do Cascalho”.
Segundo Petrini, já foram reunidas nove assinaturas, número superior ao mínimo necessário para a instalação da comissão. O parlamentar sustenta que a iniciativa demonstra neutralidade, embora o movimento tenha recebido apoio imediato de vereadores da oposição, ampliando a leitura de que o episódio pode tensionar ainda mais o ambiente político no Legislativo.
A repercussão foi imediata no plenário. Durante a sessão, a mudança de postura do presidente chamou atenção de colegas. Em tom de brincadeira, a vereadora Andressa Marques (PCdoB) ironizou a situação ao comentar que Petrini agora seria “o líder da oposição”.
Do outro lado, a Secretaria Municipal de Obras confirmou a existência de convênios de cooperação entre Caxias do Sul e municípios vizinhos para auxílio em intervenções viárias, como recuperação de estradas compartilhadas. No entanto, o secretário Lucas Suzin afirmou que ainda não é possível dizer se as atividades denunciadas estariam cobertas pelo acordo, já que a sindicância segue em andamento.
A exoneração do subprefeito é tratada internamente como um possível indício de irregularidades, embora a apuração ainda não tenha sido concluída. Um dos pontos mais sensíveis da denúncia envolve a suposta utilização de um caminhão particular do prefeito de Vale Real para transportar brita até a propriedade de um servidor, situação que, segundo a pasta, não estaria prevista em nenhum convênio.
Com a sindicância aberta e a CPI prestes a ser protocolada, o caso deve dominar o debate político local nos próximos dias. A expectativa agora recai sobre o avanço das investigações e a capacidade das autoridades de esclarecer se houve falha administrativa, irregularidade ou uso indevido de recursos públicos.


