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98% das mulheres adotam estratégias diárias para escapar da violência

Pesquisa com 1,5 mil pessoas mostra que medo altera lazer, mobilidade, trabalho e estudo.

Redação POLITICA.RS16 de set. de 2026 · 13h540 acessos📲 Enviar no WhatsApp
98% das mulheres adotam estratégias diárias para escapar da violência
Reprodução: www.radiocinderela.com.br

Quase todas as brasileiras (98%) recorrem a estratégias cotidianas para reduzir risco de violência.

Por causa do medo, 45% já deixaram de aproveitar oportunidades de trabalho ou estudo.

A pesquisa "Segurança das Mulheres: Percepção da Sociedade Brasileira sobre Violência" ouviu 1.500 pessoas de 16 anos ou mais, de todas as regiões, entre 22 e 30 de abril de 2026, em entrevistas digitais de autopreenchimento, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais; os resultados serão apresentados nesta quarta (16) no painel (In)segurança das Mulheres e Mobilidade, no 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Oito em cada dez mulheres (78%) já sofreram algum tipo de violência; 94% das mulheres dizem sentir insegurança no dia a dia, contra 84% dos homens; nos deslocamentos, 94% das mulheres e 90% dos homens relatam medo da violência.

Espaços de lazer e transporte público aparecem como os menos seguros: 41% não se sentem nada seguras em bares, festas e baladas; 42% em pontos de ônibus e estações; 33% dentro dos transportes públicos; a violência doméstica é motivo de temor para 60% das brasileiras.

90% — evitam determinados locais

88% — evitam compartilhar dados ou localização nas redes sociais

84% — evitam usar o celular na rua

83% — avisam alguém sobre deslocamentos; 83% — evitam sair à noite

80% — evitam usar aplicativos bancários na rua; 77% — compartilham localização com pessoas de confiança

69% — mudam trajetos habituais; 66% — chamam carro/moto por aplicativo; 66% — pedem para alguém acompanhá-las

62% — mudaram hábitos de lazer; 58% — deixaram de frequentar lugares de que gostavam

56% — preferem transporte a caminhar; 27% — praticaram defesa pessoal; 26% — carregam itens de proteção pessoal

As entrevistadas apontam responsabilidade institucional: 73% citam Polícia Militar e Civil; 69% citam governo federal; 69% governo estadual; 66% governo municipal. Entre as avaliações negativas, Legislativo registra 74% de reprovação, governo estadual 72%, Judiciário 71% e governo federal 71%.

"O medo da violência atravessa a forma como as mulheres vivem e circulam pelas cidades", afirmou Maíra Saruê, diretora de Pesquisa do Instituto Locomotiva.

Para 78% das entrevistadas, propostas sobre combate à violência nas ruas e no transporte público influenciarão o voto; 95% consideram importante ampliar canais de denúncia e apoio às vítimas.