Acordo EUA–Venezuela prevê 25 anos e acesso a 1/5 das reservas recuperáveis
Trump e a presidente interina Delcy Rodríguez anunciaram desenvolvimento de 17 campos e promessa de US$100 bilhões em investimentos

Os Estados Unidos e a Venezuela anunciaram um acordo petrolífero de 25 anos para desenvolver 17 campos e dar a empresas ligadas a Washington acesso a um quinto das reservas recuperáveis.
O pacto promete atrair US$100 bilhões em investimentos e gerar US$209,3 bilhões em royalties e impostos para a Venezuela, e prevê que os EUA controlem 55% da produção efetiva da nova empresa.
O anúncio foi feito pelo presidente Donald Trump, e a presidente interina Delcy Rodríguez confirmou a duração de 25 anos e os valores de investimento e receitas; o texto completo e a lista de empresas participantes não foram publicados.
O acordo cita um potencial de cerca de 65 bilhões de barris nos 17 campos, número maior que as reservas provadas dos EUA (cerca de 46 bilhões de barris), e parte do petróleo seria destinada à Reserva Estratégica de Petróleo e às Forças Armadas americanas.
Especialistas e advogados levantam dúvidas legais e sobre viabilidade: Juan Carlos Apitz disse que o acordo, embora formalmente reconhecido pelos EUA, poderá ser discutido em tribunais; Amos Hochstein avaliou que “se eu fosse Trump, estaria nervoso”.
Os campos ficam principalmente na Faixa do Orinoco e no Lago de Maracaibo; análise da Gas Energy Latin America estima 63,7 bilhões de barris a partir de um fator de recuperação de 20%, e a exploração completa pode exigir mais de 25 anos e bilhões de dólares em investimentos para reconstruir instalações e infraestrutura.
Hoje os Estados Unidos recebem cerca de 60% das exportações petrolíferas venezuelanas; Trump anunciou que se reunirá com líderes das principais petrolíferas dos EUA para discutir aumento da capacidade de refino e o fluxo de petróleo venezuelano às refinarias americanas.
17 — campos incluídos no acordo
~65 bilhões de barris — potencial anunciado
25 anos — duração do acordo
US$100 bilhões — investimento prometido
US$209,3 bilhões — royalties e impostos projetados
55% — participação de produção a ser controlada pelos EUA
60% — parcela atual das exportações venezuelanas destinadas aos EUA
“Se eu fosse Trump, estaria nervoso”, disse Amos Hochstein sobre os desafios jurídicos e diplomáticos do acordo.
O próximo passo oficial é a reunião anunciada por Trump com líderes das principais companhias petrolíferas dos Estados Unidos, marcada para depois do anúncio desta segunda-feira.