Após enchentes e ondas de calor, educação do RS enfrenta déficit estrutural e de aprendizado
Escolas adotam planos de contingência, reconstruções elevadas e medidas contra calor; alfabetização em 2025 fica em 52% nas idades esperadas.

Escolas gaúchas adotam planos de contingência e reformas após as enchentes de 2024 e as ondas de calor de fevereiro de 2025.
A reconstrução e adaptação afetam vagas e espaços: a Escola Municipal Léo Joas, em Estrela, mantém cerca de 500 alunos em outra unidade enquanto constrói novo prédio em área segura.
Na Escola Estadual Souza Doca, em Muçum, alunos e profissionais participam de treinamentos com rotas de saída, responsáveis definidos e locais de abrigo, segundo a diretora Karina Baronio Cucioli.
Em Porto Alegre, o Instituto Cultural Floresta, liderado por Claudio Goldsztein, reconstrói três escolas e ergue um anexo na Escola Municipal de Educação Infantil Miguel Granato Velasquez, no Sarandi, elevado acima da cota de 2024 para servir também como abrigo comunitário.
A falta de climatização e limites da rede elétrica motivaram suspensão de aulas em fevereiro de 2025; o pedagogo William Fernando de Oliveira pede infraestrutura sustentável, como arborização, áreas sombreadas e telhados verdes.
A alfabetização nas idades esperadas atingiu 52% em 2025, ante 45% em 2024 e 63% em 2023; a média nacional é 66%, colocando o estado abaixo da média.
A professora Renata Sperrhake, da Faculdade de Educação da UFRGS, afirma que dificuldades em leitura, compreensão e produção de textos persistem em diversas etapas da educação básica.
Ivan Gontijo, gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, diz: "Tem duas coisas importantes: a primeira é reforçar o trabalho de recomposição das aprendizagens... e a outra é fortalecer o regime de colaboração com os municípios."
Resultados do Ideb mostram nota 6,3 nos anos iniciais, 5,4 nos anos finais e 4,7 no ensino médio; a taxa de aprovação chegou a 91% em 2025, mas a evasão no ensino médio é quase 9%.
O próximo passo citado por gestores e especialistas é priorizar investimentos em infraestrutura escolar, recomposição das aprendizagens e parcerias entre poder público e iniciativa privada.