Assédio eleitoral no trabalho fere a liberdade do voto
Cobranças, ameaças veladas ou pressão por atos criam medo que chega até a urna e compromete o segredo do voto

O assédio eleitoral no ambiente de trabalho faz a pessoa temer consequências por suas convicções, e esse medo pode alcançar a urna.
Quando o chefe ameaça demitir se um candidato vencer, cobra posicionamento, promete benefícios ou pressiona para participar de atos, a liberdade de discordar desaparece.
Assédio eleitoral também se manifesta de modo sutil: cobranças sobre opinião, ambiente em que já se entende a posição do patrão e vigilância que leva trabalhadores a esconder opiniões.
A relação de trabalho é desigual: quem depende do salário tem menos poder para discordar do empregador; o medo faz medir palavras e adoecer, segundo análise psicanalítica citada no texto.
Marx é invocado para lembrar que vender força de trabalho por salário não torna o empregador dono das convicções, do pensamento ou do voto do trabalhador.
O voto é secreto para garantir escolha livre; quando o medo acompanha alguém até a urna, parte dessa liberdade já foi violada.
O texto convida a acompanhar os episódios do podcast Psi Por Aí no YouTube e no Spotify; Juliana Ramiro, psicanalista e doutora em Letras, recebe sugestões pelo e-mail admin@julianaramiro.com.br.