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Assédio eleitoral no trabalho: quando uma pressão vira crime eleitoral

O advogado Diego da Veiga Lima explica condutas que podem configurar assédio e quando empregadores podem ser responsabilizados.

Redação POLITICA.RS16 de set. de 2026 · 15h320 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Assédio eleitoral no trabalho: quando uma pressão vira crime eleitoral
Reprodução: girodegravatai.com.br

Assédio eleitoral ocorre quando a relação de trabalho é usada para pressionar ou constranger a escolha política do empregado, diz o advogado Diego da Veiga Lima, especialista em Direito Eleitoral.

Uma única ameaça de demissão para influenciar o voto pode configurar assédio eleitoral e gerar responsabilização civil e trabalhista, alerta o especialista.

Perguntar em quem o empregado vai votar, compartilhar mensagens de candidatos no grupo da empresa ou convidar para eventos de campanha são exemplos de condutas que podem ultrapassar limites, dependendo do contexto e da presença de hierarquia.

Diego da Veiga Lima afirma que a desigualdade de poder — quem controla salários, promoções, avaliações ou permanência — é o principal fator que torna a conduta coercitiva.

Questionamentos sobre preferência política em entrevistas de emprego, avaliações de desempenho ou processos de promoção podem indicar discriminação política; avaliações devem se limitar a competências profissionais.

Líderes podem declarar apoio a candidato, mas se a autoridade for usada para cobrar apoio, ameaçar empregados ou vincular eleições a demissões, a manifestação deixa de ser opinião legítima.

Comentários políticos em reuniões que envolvem superiores e tratam de metas, planejamento ou resultados podem ser interpretados como preferência institucional e gerar constrangimento.

Convites voluntários a eventos de campanha não configuram assédio, mas cobranças de presença, controle de comparecimento ou consequências profissionais associadas à ausência transformam o convite em coação.

Grupos de WhatsApp corporativos não devem ser usados para propaganda eleitoral; a participação de superiores exige cautela, e mensagens fora do expediente podem manter vínculo com o ambiente profissional.

"Uma única ameaça de demissão utilizada para influenciar o voto pode reunir elementos suficientes para caracterizar a prática", disse Diego da Veiga Lima.

Empregadores devem evitar perguntar sobre voto, não usar reuniões corporativas para manifestação política e manter avaliações centradas em competências profissionais.