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Atendimentos por vício em apostas online no SUS cresceram quase 140%

A expansão das “bets” em mídias e influenciadores e o acesso por smartphones aumentaram endividamento, adoecimento e risco de suicídio.

Redação POLITICA.RS26 de set. de 2026 · 16h320 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Atendimentos por vício em apostas online no SUS cresceram quase 140%
Reprodução: folhadecandelaria.com.br

Procura por atendimento no SUS por vício em jogos online subiu quase 140% nos últimos cinco anos, informou o Ministério da Saúde em audiência pública na Câmara dos Deputados.

Cinco em cada 10 pessoas endividadas já fizeram ao menos uma aposta; 34% delas continuam apostando, o que alimenta dívidas e agrava risco de suicídio.

No mês de conscientização e prevenção ao suicídio, especialistas apontam que a promessa de ganho rápido e o fácil acesso por smartphones ajudam a formar um ciclo de endividamento, culpa e adoecimento mental.

A presença massiva de apostas em mídias físicas e digitais, a divulgação por grandes influenciadores e propagandas em novelas, estádios e camisas de times cria confiança ilusória que amplia o número de apostadores.

No podcast O Assunto, episódio nº 1.697, a jornalista Natuza Nery entrevistou o cientista político Felipe Nunes, professor da FGV-SP e diretor do instituto Quaest, que citou pesquisa qualitativa mostrando que homens frequentemente jogam escondidos da família.

O médico Victor Prates Soares, do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Candelária, afirma que a ludopatia deve ser tratada como qualquer dependência: o problema só surgiu com força após a regulamentação das casas de apostas, que facilitou o acesso.

O padrão de prejuízos descrito envolve primeiro impacto financeiro, depois problemas familiares e, por fim, culpa, vergonha e depressão, elementos que podem levar ao suicídio.

140% — aumento dos atendimentos por vício em jogos online no SUS nos últimos cinco anos

5 em 10 — pessoas endividadas que já fizeram ao menos uma aposta

34% — parcela dessas endividadas que continua apostando

"Tem algumas pessoas que conseguem apostar sem se viciar, mas é um risco muito grande. No momento em que começa a trazer prejuízo e a pessoa não consegue parar, nós podemos considerar, sim, uma doença", disse Victor Prates Soares.

Como medida prática, o médico propõe acabar com a publicidade das apostas, comparando a estratégia ao banimento de publicidade do cigarro no início dos anos 2000.