Comissão da Verdade da UFRGS entrega relatório em 10 de dezembro de 2026
Instalada em 10 de dezembro de 2024, a comissão gravou 60 testemunhos e não pedirá prorrogação para que a atual gestão implemente as recomendações.

Comissão Enrique Serra Padrós da UFRGS deverá entregar o relatório final em 10 de dezembro de 2026.
A comissão optou por não pedir prorrogação para que a gestão da reitora Márcia Barbosa e do vice-reitor Pedro Costa receba e implemente as recomendações.
A comissão foi instalada oficialmente em 10 de dezembro de 2024, tem coordenação-geral da professora Roberta Baggio e recebeu o Prêmio Rubens Paiva em 3 de setembro de 2026.
O processo nasceu após pressão do Ministério Público Federal iniciada em 2019 e tem a missão de reunir, organizar e disponibilizar registros sobre violações de direitos humanos na UFRGS entre 1964 e 1988.
A investigação já gravou 60 testemunhas e realizou duas audiências públicas: 28 de novembro de 2025 (estudantes, com Dilza de Santi, Henrique Finco e João Ernesto Maraschin) e 28 de maio de 2026 (técnico-administrativos, com Alcides José de Almeida Neto, Décio Aloísio Schauren e Jussara Rosa Cony).
Em julho de 2025 a comissão lançou campanha pública para localizar documentos, fotografias e cartas e identificar pessoas dispostas a compartilhar memórias sobre a repressão dentro da universidade.
O trabalho envolve 11 mulheres entre professoras, técnicas e estudantes, além de bolsistas e voluntários, segundo Roberta Baggio, que chamou o trabalho de “extremamente cansativo” e “extremamente complexo”.
A investigação foca o período em que a repressão atravessou a universidade: entre 1964 e 1969 a UFRGS sofreu dois processos de expurgo que atingiram docentes, estudantes e técnico-administrativos.
10 de dezembro de 2024 — instalação oficial da Comissão
3 de setembro de 2026 — Prêmio Rubens Paiva recebido pela Comissão
60 — testemunhas gravadas até agora
28 de novembro de 2025 e 28 de maio de 2026 — datas das audiências públicas
10 de dezembro de 2026 — prazo final para entrega do relatório
Roberta Baggio disse que “as condições políticas de instauração só vieram em 2024, com a pressão do Ministério Público Federal” e destacou a decisão da reitoria de instaurar a comissão.
Depois da entrega, a responsabilidade concreta é da gestão que instaurou a comissão: receber, enfrentar e implementar as recomendações e criar um espaço permanente de memória dentro da UFRGS.