Conselho da Câmara barra livro sobre independências; texto estava pronto desde abril de 2025
Obra organizada por três historiadores e com mais de 50 contribuições teve termos vetados e trechos sobre povos indígenas cortados

O Conselho Editorial da Câmara dos Deputados, presidido pelo deputado Lafayette de Andrada (PL-MG), proibiu a publicação do livro “Independências do Brasil”.
O livro já estava diagramado, revisado e com contratos assinados desde abril de 2025, e seria lançado inicialmente em julho do ano passado; a decisão adiou a publicação.
A obra foi organizada por André Roberto de A. Machado (professor da UNIFESP), Andréa Slemian (professora da UNIFESP) e Cláudia M. G. Chaves (professora da UFOP) e reúne textos de mais de 50 historiadores brasileiros e estrangeiros.
O Conselho propôs substituir “Ditadura Militar” por “Regime Militar” e exigiu trocas de termos consagrados pela historiografia, além de vetar parágrafos sobre o protagonismo dos povos indígenas, sem oferecer substituições.
Entre os trechos censurados estavam afirmações de que o marco temporal é uma “aberração jurídica” e que os direitos constitucionais dos indígenas são “vergonhosamente negados pelo Estado brasileiro”.
O Conselho também sugeriu retirar referência à frase “a história que a história não conta”, presente no samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira campeã do Carnaval de 2019.
O autor do texto no site lembra Marc Bloch, historiador da Escola dos Annales, que alertou contra a “história mal-entendida” capaz de derrubar tradições intelectuais; o artigo foi assinado por Leonardo da Rocha Botega, professor do Colégio Politécnico da UFSM, doutor e mestre pela UFSM.
41 anos — tempo decorrido desde o fim da Ditadura Civil‑Militar
abril de 2025 — contratos assinados para a publicação
mais de 50 — autores que contribuíram para o livro
"A História não pode ser escrita por quem quer esconder a própria História!", escreveu Leonardo da Rocha Botega.