Deputados gaúchos descobrem a urgência do LesboCenso
Enquanto o Estado desconhece filas da saúde, áreas de risco e número de pessoas sem moradia, discutem novo levantamento identitário

A Assembleia Legislativa realizou audiência pública para debater o LesboCenso, levantamento organizado por movimentos LGBTQIAPN+ que afirma ter identificado 21 mil mulheres lésbicas no Rio Grande do Sul.
Mulheres lésbicas são uma parcela cada vez mais representada politicamente, enfrentam casos de violência e discriminação e merecem atenção do poder público. A pergunta é outra. Diante de tantos problemas graves, este deveria ser o censo prioritário dos parlamentares gaúchos?
O Rio Grande do Sul ainda precisa conhecer com precisão quantas famílias vivem em áreas de risco de enchentes e deslizamentos, quantos pacientes aguardam consultas, exames e cirurgias no SUS, quantas crianças estão fora da creche, quantas pessoas vivem nas ruas e quantos idosos esperam vagas em instituições de acolhimento.
Também faltam levantamentos atualizados sobre pessoas com deficiência sem atendimento, famílias sem acesso a saneamento básico, mulheres vítimas de violência que aguardam proteção e produtores rurais isolados por estradas precárias.
Representatividade é importante. Contudo, legislar exige estabelecer prioridades. Antes de multiplicar levantamentos identitários, talvez os deputados devessem mapear os milhares de gaúchos que esperam por serviços básicos. Esse censo, certamente, revelaria uma realidade bem menos conveniente aos discursos políticos.