DF tem o pior Ideb do ensino médio em 2025; professores adoecem em massa
Ideb 2025 mostra rede pública do Distrito Federal sem meta atingida em nenhuma etapa; afastamentos por transtornos cresceram 68% em um ano

Distrito Federal registrou o pior desempenho do ensino médio no Ideb 2025, e a rede pública não atingiu metas em nenhuma etapa de ensino.
De 2023 para 2024, afastamentos de profissionais da educação por transtornos mentais e comportamentais subiram 68% no país; no DF, 56% dos educadores se afastam anualmente para tratar a saúde.
Mais de 3 mil professores se afastaram em 2023, colocando o magistério público do DF na segunda posição nacional entre categorias com mais afastamentos.
Setores de saúde apontam que 70% dos afastamentos no DF estão ligados a transtornos mentais e comportamentais; diagnósticos frequentes incluem Síndrome de Burnout, depressão, ansiedade, DORT/LER e problemas vocais.
Luciane Kozicz, psicóloga do Sinpro-DF e pesquisadora da UnB, diz que o adoecimento aparece como enxaquecas, dores musculares, insônia e medo, resultantes da impossibilidade de comunicar as dores.
O Sinpro-DF atribui o adoecimento à sobrecarga de trabalho, salários defasados, falta de suporte da Secretaria de Educação do DF, condições precárias e carência de profissionais.
Em 2015, o vencimento básico dos educadores estava mais de 100% acima do Piso Nacional do Magistério; ocorreram oito anos de congelamento salarial, alterados após greves e luta do Sinpro por reajuste.
O governo Ibaneis/Celina aprovou reajuste de 25% para si próprio e para o alto escalão, enquanto a categoria buscava recomposição salarial.
O Sinpro mantém a Clínica do Trabalho, criada em 2018, para atendimento psicológico individual e palestras nas escolas, e criou em 2024 um protocolo contra violência escolar.
65% — crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do Ensino Fundamental no DF.
458.000 — estudantes na rede pública do Distrito Federal.
134 — casos atendidos pelo protocolo do Sinpro desde 2024.
35,8% — dos casos atenderam assédio moral; 20,1% envolviam ameaças e crimes contra a honra.
19,4% — agressões de alunos com TEA ante a ausência de monitores; 12,7% — agressões físicas ou ameaças; 6% — discriminação racial.
O Sinpro cobra nomeações e concursos públicos para repor o quadro de profissionais e mantém atendimento e acolhimento às vítimas por meio da Clínica do Trabalho.
A pergunta que fica é prática: até quando a capital tratará educadores como peças descartáveis diante do Ideb 2025 e dos afastamentos em massa?