Dilma é lembrada, homenageada, defendida... só não aparece na campanha
Giovani Culau resgata ex-presidente para falar em “golpe”, mas ausência de Dilma nos palanques levanta uma pergunta inconveniente

O vereador de Porto Alegre e candidato a deputado estadual Giovani Culau (PCdoB) resolveu tirar Dilma Rousseff do arquivo. Em publicação nas redes sociais, lembrou os dez anos do impeachment, chamou o afastamento da ex-presidente de “golpe” e aproveitou para pedir a reeleição de Lula.
Dilma, pelo visto, continua muito útil para recordar o passado. Para aparecer na campanha, nem tanto.
A publicação de Culau chama atenção justamente porque a ex-presidente, tratada como símbolo da democracia e vítima de uma grande injustiça pela esquerda, mantém uma presença bastante discreta na campanha eleitoral.
É quase um fenômeno político. Dilma aparece nas homenagens, nos discursos sobre o impeachment e nas críticas à direita. Mas quando chegam os palanques, as caminhadas e a hora de pedir voto, é preciso procurar com lupa.
Se o legado de Dilma é motivo de tanto orgulho, por que tamanho cuidado em exibi-lo ao eleitor?
Dez anos depois, parece que a esquerda encontrou a fórmula perfeita para a ex-presidente. Dilma serve para a memória, para o discurso e para atacar adversários.
Só não parece servir muito para a fotografia da campanha.