Enchentes, secas e ventos custaram R$116,8 bi ao RS na última década
Estado prepara R$6,5 bilhões em obras contra cheias; El Niño forte pode agravar riscos entre outubro e janeiro.

Eventos climáticos extremos provocaram 281 mortes e R$116,8 bilhões em prejuízos no Rio Grande do Sul na última década.
O El Niño deve atingir seu pico a partir de setembro, com efeitos mais fortes entre outubro e janeiro, elevando o risco de chuvas intensas, enchentes e ventos fortes.
Enchentes de 2023 e 2024 atingiram mais de um milhão de gaúchos, paralisaram o Aeroporto Salgado Filho por quase seis meses e destruíram pontes e rodovias.
Governo federal, estadual e municipais somam cerca de R$6,5 bilhões em projetos de proteção; o sistema de contenção de Eldorado do Sul na Bacia do Jacuí tem custo estimado em R$1,1 bilhão.
O anteprojeto dos diques de Eldorado do Sul foi atualizado e concluído; a próxima etapa é elaborar o projeto executivo e obter autorização para iniciar as obras.
Há projetos em andamento para os sistemas de Porto Alegre e Alvorada (Arroio Feijó) e para as bacias dos rios Gravataí, Sinos e Caí; previsão de entrega dos novos sistemas até 2031.
Levantamentos indicaram que 87 municípios não tinham planos de contingência e 215 tinham documentos desatualizados; atualmente os 497 municípios do RS possuem planos, que especialistas dizem precisar revisão permanente.
Secas seguem causando perdas: a Farsul estima R$126,3 bilhões em prejuízos nas culturas de arroz, milho, soja e trigo entre 2020 e 2025; quebras de safra reduziram em R$319 bilhões o PIB no período.
Gestão da água exige avanços: o RS tem 25 bacias hidrográficas — 12 com planos concluídos, sete com documentos parciais e seis sem planos; cerca de 39% da água produzida é perdida na distribuição.
A coleta de esgoto atende 34,7% da população gaúcha, ante 56,7% da média nacional; o Serviço Geológico do Brasil já mapeou áreas de risco em 134 municípios. A prioridade imediata é concluir projetos executivos e autorizar o início das obras de contenção.