Endividamento e juros altos corroem poder de compra e atrapalham consumo de alimentos
Ex-ministro José Graziano da Silva diz que dívida de famílias e taxas no cartão impedem que renda alcance alimentos frescos

Endividamento de cerca de 80% das famílias e juros do cartão que chegam a "1% ao dia, quase" impedem que aumento do salário mínimo transforme-se em mais compra de alimentos.
Graziano afirma que, apesar da melhora nos preços em moeda nacional, o alto custo do crédito corrói a renda das famílias e reduz consumo de alimentos frescos.
Ele atribui a maior parte da flutuação nos preços dos alimentos no Brasil a instabilidades climáticas internas, não a choques do mercado internacional, e diz que o país teve desempenho médio melhor que o resto do mundo.
O Brasil saiu do Mapa da Fome com subalimentação reduzida para menos de 1% da população, segundo Graziano.
Graziano alerta que o desafio agora é a qualidade da dieta: substituição de alimentos frescos por ultraprocessados vem elevando sobrepeso e obesidade, com projeção de que dois terços da população adulta poderão ter excesso de peso até 2030.
O Instituto Fome Zero propõe seis diretrizes: subsidiar produtos frescos na reforma tributária, fortalecer a agricultura familiar, implantar proteção social antecipatória contra emergências climáticas, incentivar engajamento comunitário e outras medidas voltadas à nutrição.
"Nós estamos pagando 1% ao dia, quase, de taxa de juros no cartão de crédito. Isso é coisa de agiota. Isso é coisa de bandido", criticou o ex-ministro José Graziano da Silva.
Graziano disse que "essa deficiência de frutas, verduras e legumes precisa de mais do que simples isenção de tributo. Precisa de subsídio. O mundo inteiro subsidia produtos frescos."