Especialista: concessão da RSC-287 é necessária para retomar investimentos rodoviários
Luiz Afonso Senna defende gestão privada, alerta sobre atrasos nas decisões e diz que duplicação da RSC-287 equivale a metade das rodovias duplicadas do RS

A concessão da RSC-287 para a Rota de Santa Maria é, na avaliação de Luiz Afonso Senna, a retomada dos investimentos em infraestrutura rodoviária no Rio Grande do Sul.
A duplicação prevista na RSC-287 corresponde a 50% de todas as rodovias duplicadas no Estado, o que exige recursos além da capacidade do setor público.
Luiz Afonso Senna, mestre em Engenharia de Transportes e ex-presidente da Agergs, participou nesta terça, 25, da segunda entrevista da série da Rádio Gazeta FM 107,9 sobre os cinco anos de concessão da rodovia.
Senna acompanhou os primeiros anos do contrato enquanto esteve na Agergs e disse que a discussão das concessões enfrenta resistência no Estado por causa da cobrança de pedágio.
Ele comparou o atraso do RS com São Paulo e Paraná, dizendo que a continuidade dos programas de concessão nesses Estados resultou em malha duplicada maior e tarifas mais baixas.
Senna afirmou que quando há grande volume de obras pendentes o custo aparece na tarifa, e que contratos com obrigação de duplicar e recuperar rodovias têm custos superiores aos de contratos só de manutenção.
O especialista criticou a demora nas decisões do poder concedente e dos órgãos reguladores, afirmando que o problema atual não é a concessionária, mas a velocidade das respostas do governo.
Senna defendeu contratos dinâmicos para 30 anos de concessão, admitiu que nem tudo pode ser previsto e afirmou que novas demandas regionais devem ser incorporadas ao longo do período.
Ele alertou que a não decisão tem custo, podendo afetar o fluxo financeiro das concessões e a relação das empresas com financiadores.
Senna pediu avanço na qualidade da regulação e em estrutura de pessoal, citando a experiência do governo federal como referência a ser copiada.
Senna comentou também reclamações sobre buracos na RSC-287, reconhecendo que fatores técnicos influenciam a durabilidade do pavimento.
25 — data da entrevista na Rádio Gazeta FM 107,9
5 — anos de concessão da RSC-287 discutidos na série
30 anos — duração prevista do contrato de concessão
50% — fatia da duplicação da RSC-287 sobre o total de rodovias duplicadas no RS
"Não existe economia robusta sem infraestrutura robusta", disse Senna ao justificar a necessidade das concessões.
O próximo passo, segundo Senna, é que o governo dê respostas em prazo adequado a pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro e análises de projetos, para não travar obras e financiamentos.