ELEIÇÕES 2026Faltam 22 diasCandidatos →
InícioCongresso
Congresso

Estado reconheceu culpa na morte de Carlos Marighella há 30 anos

Em 11 de setembro de 1996, o atestado de óbito passou a imputar ao Estado responsabilidade pela morte do guerrilheiro.

Redação POLITICA.RS12 de set. de 2026 · 12h310 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Estado reconheceu culpa na morte de Carlos Marighella há 30 anos
Reprodução: www.clicportela.com.br

O Estado reconheceu, em 11 de setembro de 1996, responsabilidade pela morte do ex-deputado e guerrilheiro Carlos Marighella.

O reconhecimento ocorreu com atestado de óbito referindo a Lei 9.140, que criou a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, passo formal para reparação de famílias.

Marighella foi assassinado em 4 de novembro de 1969 em São Paulo durante uma emboscada por agentes da ditadura; seus restos foram inicialmente sepultados como indigente.

Somente em 1979, após a Lei de Anistia, os restos mortais foram trasladados para Salvador, cidade natal de Marighella.

O filho Carlos Augusto, hoje advogado de 78 anos chamado Carlinhos, identificou o corpo do pai aos 20 anos ao ver foto enviada por telex e sofreu perseguições por causa do sobrenome.

No ano passado a família recebeu documento retificado com informações além da citação à Lei 9.140; a retificação incluiu o reconhecimento de Clara Charf como viúva de Marighella.

A Comissão Nacional da Verdade padronizou a descrição dos casos como "morte não natural, violenta, decorrente da perseguição política do Estado brasileiro", segundo Eugênia Gonzaga.

Miguel Reale Júnior, primeiro presidente da comissão, e o então deputado Nilmário Miranda destacaram que a admissão de culpa desmistificou a versão policial de confronto e visou reconhecer responsabilidade estatal, não punir pessoas.

4 de novembro de 1969 — data do assassinato

11 de setembro de 1996 — data do atestado que imputou culpa ao Estado

1979 — ano do traslado dos restos mortais para Salvador

62 — número de documentos entregues quando a família recebeu a retificação

"A alternativa que a Comissão Nacional da Verdade encontrou foi padronizar esses dizeres como morte não natural", afirmou Eugênia Gonzaga ao justificar as retificações.

Carlinhos diz que a reparação legal precisa servir de lição à sociedade e pede iniciativas educativas, e a família espera a criação de um memorial que faça justiça à memória de Marighella.