Estudo espanhol diz que desigualdade territorial e jornalismo ampliaram desastre em São Leopoldo
TFM de Aldem Bourscheit Cezarino, concluído em junho de 2026, liga ocupação do solo e falhas na cobertura às cheias de 2024.

Um estudo final de máster conclui que desigualdade territorial, falhas na engenharia e na comunicação ampliaram o desastre das enchentes de 2024 em São Leopoldo.
Como consequência, cerca de 150 mil moradores chegaram a abandonar suas casas no ponto mais crítico, enquanto 180 mil pessoas foram afetadas, o equivalente a 83% da população do município.
O Trabalho de Fin de Máster intitulado "Desplazamientos forzados por impactos climáticos..." foi apresentado no Instituto Universitario de Estudios sobre Migraciones da Universidad Pontificia Comillas, em Madri, e concluído em junho de 2026, com autoria do jornalista Aldem Bourscheit Cezarino e orientação do professor Alfredo dos Santos Soares.
A pesquisa combinou revisão bibliográfica, dados do MapBiomas e Natureza On (2026) e um questionário online de 25 perguntas aplicado a 32 jornalistas da Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA).
O estudo mostra que a mancha urbana de São Leopoldo cresceu 76% — de 2.600 para 4.600 hectares — entre 1985 e o período recente, enquanto as áreas de água livre diminuíram 24%.
O trabalho critica 18 km de diques construídos desde a década de 1970, que reduziram cheias menores mas geraram falsa sensação de segurança, e documenta o rompimento de diques quando chuvas próximas a 700 mm atingiram o estado.
A pesquisa sobre a cobertura jornalística apontou que 78,1% dos jornalistas discordaram que a imprensa antecipou riscos de inundação; 68,7% disseram que a diferença entre oscilações meteorológicas e mudança climática foi mal explicada; e 65,6% afirmaram que o abandono de lares não foi apresentado como fenômeno climático.
Após a fase de emergência, 75,4% dos jornalistas relataram perda drástica de relevância do tema na mídia, dificultando debates sobre reubicação e políticas de adaptação.