Falta de horários de ônibus complica rotina de trabalhadores em Bento Gonçalves
Entidades locais pedem revisão de itinerários, novas licitações e modelo de financiamento compartilhado

A oferta limitada de horários e os longos intervalos entre ônibus em Bento Gonçalves atrapalham o deslocamento de trabalhadores, estudantes e consumidores.
A falta de horários no fim da tarde, aos sábados e em datas de horário estendido reduz a janela de compra do consumidor e dificulta contratação e manutenção de colaboradores do comércio, afirma Helenir Bedin, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Bento Gonçalves (CDL-BG).
Orildes Lottici, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Bento Gonçalves e Região (SEC-BG), diz que bairros distantes sequer são atendidos e relata casos de mães que deixam atividades por incompatibilidade entre creche, escola e trabalho.
Plínio Mejolaro, presidente do Sindilojas, atribui a redução de horários ao aumento dos custos operacionais, especialmente do combustível: “Por causa do preço do óleo dos ônibus, as empresas têm que encurtar horários porque não podem aumentar a passagem.”
Mejolaro relata que muitos funcionários passaram a usar transporte próprio, sobretudo motos, e que na sua empresa cinco funcionários almoçam no local para evitar deslocamento entre turnos.
A CDL-BG, via Helenir, propõe que discussão sobre tarifas e horários considere custos com combustível, mão de obra e manutenção da frota, e se oferece para integrar um grupo de trabalho permanente com poder público e concessionárias.
Orildes defende revisão das políticas de transporte urbano, ampliação do debate público e realização de novas licitações; Mejolaro sugere modelo de transporte gratuito ou parcialmente subsidiado com financiamento compartilhado entre usuários, poder público e empresas.
5 — funcionários que almoçam na empresa citados por Mejolaro
“Porque são licitações que têm validade. E nesse período de validade aumenta diversas vezes o combustível. E quem sofre é o consumidor”, afirmou Plínio Mejolaro sobre o encurtamento de horários.
O próximo passo proposto pelas entidades é formar um grupo de trabalho permanente para apresentar dados sobre fluxo de consumidores e jornada dos trabalhadores e avaliar novas licitações e modelos de subsídio.