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Governo federal avança processo para transferir 13 km² a indígenas em SC

A Terra Indígena Ygua Porã, entre Biguaçu e Tijucas, foi delimitada para 45 Guarani Mbyá, mas segue em etapa administrativa

Redação POLITICA.RS8 de set. de 2026 · 21h059 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Governo federal avança processo para transferir 13 km² a indígenas em SC
Reprodução: jornalrazao.com

O governo federal mantém em curso o processo que pode transferir 13 km² (1,3 mil hectares) no litoral de Santa Catarina para uso exclusivo de 45 indígenas Guarani Mbyá.

O prazo para contestar a delimitação terminou em 15 de abril de 2026, mas a Funai ainda lista Ygua Porã como em fase de contraditório administrativo em página atualizada em 2 de setembro de 2026.

Não há, até 8 de setembro de 2026, portaria do Ministério da Justiça declarando a terra, demarcação física, homologação por decreto presidencial nem registro em nome da União.

O resumo técnico de identificação e delimitação foi publicado no Diário Oficial da União em 22 de dezembro de 2025 e no Diário Oficial de Santa Catarina em 15 de janeiro de 2026, abrindo o prazo administrativo de 90 dias que encerrou em 15 de abril.

O processo administrativo sobre Ygua Porã teve origem em 2004 por solicitação do Ministério Público Federal; a aldeia se estruturou a partir de 2002, e hoje abriga 10 famílias nucleares, totalizando 45 pessoas.

O relatório da Funai identifica nascentes dos rios Inferninho e Itinga dentro da área, mais de 90 espécies vegetais usadas pela comunidade, uso de roças com pousio, caça e pesca sem arma de fogo, e pressões como silvicultura de eucalipto, obras viárias e sobreposição parcial com uma RPPN com desmatamento por não indígenas.

No levantamento fundiário, a Funai localizou 21 imóveis incidentes sobre a área, pertencentes a 18 ocupantes não indígenas, parte sem matrícula formal e com conflitos de limites.

Em discurso no Palácio do Planalto, o presidente Lula afirmou: “Ainda aquele discurso atrasado de que os indígenas têm 14% do território brasileiro, ele não pode ter tanta terra, quando todo mundo sabe que eles tinham a totalidade desse território antes dos portugueses chegar aqui. Fomos nós que tomamos”.

O ritmo das demarcações depende de decisão do Supremo Tribunal Federal: em 18 de dezembro de 2025 a Corte rejeitou a tese do marco temporal por 9 votos a 1; recursos voltaram ao plenário virtual em agosto de 2026, relator Gilmar Mendes e o ministro Alexandre de Moraes votaram por prazos, e o julgamento foi suspenso em 14 de agosto por pedido de vista do ministro Dias Toffoli.

Enquanto isso, a área permanece delimitada (primeira das cinco etapas previstas pelo Decreto 1.775/1996), e o processo aguarda análise final da Funai, eventual encaminhamento ao Ministério da Justiça e decisão sobre homologação presidencial.