Greves e confrontos na França mobilizam até 200.000 e geram 440 detenções
Servidores em greve e estudantes em confronto marcaram o dia, dois dias antes da apresentação do orçamento e meses da eleição presidencial

Greves e protestos na França reuniram até 200.000 manifestantes, com confrontos estudantis e 440 detenções, dois dias antes da apresentação do orçamento.
O ato pressiona o governo que prepara um ajuste fiscal de 54 bilhões de euros no próximo orçamento, anunciado pelo primeiro‑ministro Sébastien Lecornu.
O Ministério do Interior contabilizou cerca de 200.000 manifestantes no país e quase 30.000 em Paris; a CGT disse ter reunido mais de 300.000 no total e 70.000 em Paris.
Por volta do meio‑dia, quase 10% dos servidores estatais estavam em greve, com 13,71% dos professores paralisados, e 440 pessoas detidas depois dos confrontos entre estudantes e polícia.
Grupos de adolescentes incendiaram contêineres e lançaram objetos; a polícia respondeu com cassetetes e bombas de gás lacrimogêneo, e houve feridos, entre eles dez funcionários e vários alunos.
Bombeiros, professores e assistentes escolares protestaram por perda do poder de compra, falta de pessoal, cortes orçamentários e deterioração das condições de trabalho.
O protesto em Paris incluiu a chegada de bombeiros à Praça da Bastilha, onde o bombeiro Nicolas March, 52 anos, pediu ser recebido pelo ministro.
A professora Mathilde Bourgain, 47 anos, disse que escolas vêm fechando turmas e que professores trabalham em vários estabelecimentos; Nadia M'Dahoma, 45 anos, afirma receber cerca de 1.000 euros por mês por 24 horas semanais.
Desde 2017 o índice salarial subiu só duas vezes: 3,5% em 2022 e 1,5% em 2023; a inflação acumulada desde 2017 deve chegar a 24,17% no fim de 2026, segundo o Insee.
"O congelamento do índice representa uma redução salarial para milhões de servidores", declarou a líder da CGT Sophie Binet nesta terça‑feira.
O ministro da Educação Édouard Geffray anunciou a abertura de ações judiciais pelos atos de violência ocorridos durante os protestos.
A segunda maior economia da União Europeia vai às urnas em abril e maio de 2027; pesquisas recentes mostram Marine Le Pen liderando as intenções de voto, com vários cenários para o segundo turno envolvendo Édouard Philippe, Gabriel Attal e Jean‑Luc Mélenchon.