Hýbris: a lei do retorno e a tragédia do poder – José Renato Ferraz da Silveira
Informação publicada por Blog do Claudemir Pereira.
Os antigos gregos conheciam uma palavra capaz de sintetizar uma das mais profundas tragédias da existência humana: hýbris. A desmedida. A arrogância que ultrapassa os limites da prudência. A convicção de que o poder conquistado concede ao seu portador uma espécie de imunidade diante da história. Na tragédia grega, a hýbris não constituía simplesmente um defeito moral. Representava uma ruptura da ordem, uma transgressão dos limites impostos à condição humana. O indivíduo dominado pela própria grandeza imaginava-se superior às circunstâncias, às instituições e, sobretudo, às consequências de seus atos. O castigo, quando chegava, não era necessariamente obra dos deuses. Muitas vezes, encontrava-se inscrito na própria lógica das escolhas realizadas. É nesse território, entre a soberba e suas consequências, que encontramos uma chave para interpretar a política brasileira contemporânea.
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