Mendelski diz que Conselhos Tutelares viraram “depósito de cabos eleitorais”
Questiona influência de vereadores e partidos na escolha dos conselheiros e afirma que proteção das crianças acaba ficando em segundo plano

O jornalista Rogério Mendelski fez duras críticas à atuação e, principalmente, à politização dos Conselhos Tutelares de Porto Alegre. Ao comentar o caso da menina de 4 anos morta após sofrer violência, Mendelski questionou onde estaria a rede responsável pela proteção das crianças.
“Virou um depósito de cabos eleitorais, de vereadores”, afirmou. Segundo ele, eleições para os Conselhos Tutelares teriam se transformado em disputas com participação direta de grupos políticos, vereadores e partidos.
Mendelski também citou informações divulgadas em 2020 que apontavam ligações partidárias de parte dos conselheiros tutelares eleitos na Capital. Para o jornalista, mesmo quando um conselheiro afirma separar sua filiação partidária da função, a relação política já estaria estabelecida desde o processo eleitoral.
A crítica mais pesada veio na definição do que os Conselhos teriam se tornado. “O Conselho Tutelar é para ajudar as crianças, proteger as crianças. E aqui é usado como? Diretório eleitoral”, disparou.
Porto Alegre possui dez microrregiões de Conselhos Tutelares, cada uma formada por cinco conselheiros titulares. A fala de Mendelski recoloca no debate uma pergunta incômoda sobre até onde vai a influência político-partidária em uma estrutura criada justamente para colocar crianças e adolescentes em primeiro lugar.