Minha Casa, Minha Vida responde por mais da metade dos lançamentos e vendas no país
Em São Paulo, programa representa dois terços dos negócios; incorporadoras mudam foco por juros altos e subsídios ampliados

O Minha Casa, Minha Vida (MCMV) já responde por mais de 50% dos lançamentos e das vendas de imóveis residenciais novos em todo o Brasil, e por dois terços dos negócios na cidade de São Paulo.
O governo federal ampliou o teto de preços e faixas de renda, cortou juros e criou a faixa 4 — hoje chegando a imóveis de até R$ 600 mil e famílias com renda de até R$ 13 mil mensais — e vários Estados e prefeituras oferecem subsídios extras, como em São Paulo (R$ 10 mil a R$ 16 mil para a entrada).
No MCMV, o financiamento varia de 4,5% a 8,16% ao ano graças a subsídios do FGTS; no restante do mercado o crédito custa cerca de 12% a 14% ao ano.
Especialistas citam dois vetores para a expansão: taxa de juros menor no programa, que amplia a demanda entre famílias com renda até R$ 5 mil, e o encolhimento dos segmentos médio e médio-alto por juros altos, afirma Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi, e Alberto Ajzental, coordenador do curso de negócios imobiliários da FGV.
Incorporadoras tradicionais — Trisul, Eztec, Lavvi, Melnick, Moura Dubeux e Tecnisa — passaram a atuar no MCMV; em setembro a REM lançará seu primeiro empreendimento econômico, marca Vér, com 513 apartamentos no Alto da Lapa, diz o presidente Rodrigo Mauro.
A REM fechou parcerias com Vinx e Vittalar (Grupo 2Continentes), montou equipes próprias de vendas e engenharia e prevê lançar em até dois anos um condomínio de 2.500 apartamentos em terreno de 7.000 m² no Jaguaré, ao lado da USP.
A ADN, que atua em 11 municípios do interior (incluindo Campinas, Sorocaba e Ribeirão Preto), prepara seu primeiro lançamento na capital para 2027: 700 apartamentos na Água Branca; a empresa produz cerca de 3.000 unidades por ano no interior, diz o sócio Pedro Donadon.
Apesar do aumento de lançamentos, o estoque do MCMV segue relativamente curto: em São Paulo são 52,8 mil unidades — alta de 58% em 12 meses, equivalente a 8 meses de vendas; no Brasil são 137,1 mil unidades — alta de 23% em 12 meses, equivalendo a 7,6 meses de vendas (na crise de 2014, o estoque chegava a 15–20 meses).
Petrucci prevê que, se as taxas de juros de dois dígitos persistirem, o MCMV pode chegar a 60%–65% das unidades lançadas no país, como já ocorreu em São Paulo.