Justiça

Negacionismo nos EUA impulsona surto de sarampo e ameaça o Brasil

EUA registram 4,4 mil casos e medidas antivacina de agosto trouxeram mudanças no calendário infantil; Brasil monitora 61 casos.

PRedação Política.RS1 de nov. de 2026, 01h01· 5 acessos
Negacionismo nos EUA impulsona surto de sarampo e ameaça o Brasil
Reprodução: claudemirpereira.com.br

Mudanças antivacina nos EUA e discursos negacionistas explicam o pior surto de sarampo em mais de 30 anos: 4.400 casos confirmados e três mortes neste ano.

O aumento nos EUA pressiona o Brasil: o país registrou 61 casos em 2024, a maioria importada, e enfrenta risco para manter a certificação de área livre do sarampo.

O diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, afirma que o governo americano “chancelou discursos negacionistas” e tem um secretário de Saúde “declaradamente antivacina”.

Em agosto, o governo americano reduziu de 17 para 11 o número de imunizantes recomendados para crianças e determinou que a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) seja fracionada em três vacinas distintas aplicadas separadamente.

Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, diz que as mudanças nos EUA são motivadas por questões políticas, não têm base científica e causam confusão porque a Academia Americana de Pediatria mantém as recomendações anteriores.

O Brasil reconquistou a certificação de área livre do sarampo após coordenação do Ministério da Saúde com estados e municípios; o certificado havia sido perdido em 2019 após reintrodução que resultou em 19 mil casos em São Paulo.

Cobertura de vacinação infantil: 2023 — 88% (1ª dose) e 66% (2ª dose); 2024 — 96% e 78%; 2025 (preliminar) — 95% e 80%.

O continente americano já soma mais de 56.000 casos e pelo menos 80 mortes, segundo a Organização Panamericana de Saúde.

Sempre que há suspeita de sarampo, autoridades confirmam caso, isolam o doente, monitoram contatos e fazem bloqueio vacinal; São Paulo aplicou quase 4 milhões de doses extras neste ano e o Amazonas aplicou quase 192 mil doses após 17 casos.

Cunha alerta que a vacinação precisa manter cobertura de 95% para garantir imunidade coletiva e que decisões americanas reverberam no Brasil pelas redes sociais, aumentando a desinformação.

Próximo passo: manter vigilância ativa, bloqueios vacinais e cobertura de 95% para preservar a certificação e proteger grupos vulneráveis.

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