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Pesquisa mostra evangélicos rejeitam politização de igrejas: 90% contra campanhas

Levantamento Iser/Quaest com 15 mil entrevistas aponta que fiéis recusam indicação de voto por líderes e debate político em cultos

Redação POLITICA.RS30 de set. de 2026 · 19h051 acesso📲 Enviar no WhatsApp
Pesquisa mostra evangélicos rejeitam politização de igrejas: 90% contra campanhas
Reprodução: fpop.com.br

Pesquisa Iser/Quaest revela que 90% dos entrevistados são contra campanhas eleitorais dentro de espaços religiosos.

A pesquisa também mostra que 83% rejeitam indicação de voto por pastores e padres e 82% reprovam discussão política durante cultos e missas.

O estudo foi realizado com 15 mil entrevistas presenciais em 412 municípios em janeiro e fevereiro deste ano, incluindo as 27 capitais, e tem margem de erro de 1%.

O segmento evangélico corresponde a 29% da população brasileira; 70% desse grupo são pentecostais, 17% protestantes e 10% evangélicos sem igreja.

Distribuição por denominação entre evangélicos: Assembleia de Deus 32%; 28% pertencem a dezenas de denominações pequenas e médias; batistas 10%; evangélicos sem igreja 10%; Congregação Cristã 7%; Igreja Universal 5%; Igreja do Evangelho Quadrangular 4%.

O catolicismo representa 50% da população, dividido em 31% de católicos praticantes e 19% de não praticantes; católicos praticantes têm frequência semanal e hábitos de oração parecidos com os evangélicos.

A pesquisadora Lívia Reis afirma que hoje a influência religiosa ocorre mais pela formação de valores e identidades do que pela transferência direta de votos: "É mais correto falar em mediação religiosa do voto do que em transferência de votos".

A politização dos templos começou a se intensificar nas eleições legislativas desde os anos 1990 e cresceu nas presidenciais a partir de 2018, gerando divisões internas nas comunidades religiosas.

Líderes religiosos atuam além do templo, nas mídias, redes sociais e no Parlamento, e a indicação de voto concentra-se em algumas denominações, como Universal, Quadrangular e assembleias de Deus.

A religião migra para o ambiente digital: 66% usam o WhatsApp para articular comunidades religiosas, e a mensagem política circula por grupos, influenciadores e vídeos compartilhados fora dos cultos.

Consumo religioso e cultural: 73% dizem usar a Bíblia como fonte de ensinamentos, 67% consomem música gospel e 59% assistem filmes e séries religiosas.

O pastor Lucas Oliveira, 30 anos, de uma igreja batista em Nova Iguaçu, resume a rejeição à politização: "O voto deveria ser do cidadão e não da religião".

A pesquisa Iser/Quaest foi divulgada na semana passada.