Petrobras encontra óleo na Foz do Amazonas; Margem Equatorial pode garantir 40 anos
Poço pioneiro Morpho indicou presença de óleo; análises do Cenpes e decisões do Ibama definirão avanços

Petrobras confirmou indícios de petróleo no poço pioneiro Morpho, na Foz do Amazonas, na última sexta, 14.
A estatal estima que, se o potencial da bacia for comprovado, os reservatórios da Margem Equatorial garantem pelo menos mais 40 anos de produção, disse Wagner Victer, gerente executivo de Projetos Estruturantes da Petrobras; a produção pode demorar seis a sete anos.
Sylvia Anjos, diretora de Exploração e Produção da Petrobras, informou que o óleo será analisado no Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes) para avaliar qualidade e potencial do poço.
O plano de negócios 2026-2030 prevê US$ 2,5 bilhões em investimentos na Margem Equatorial e a perfuração de 15 novos poços.
O Ibama analisa o pedido da Petrobras para perfurar mais três poços; a liberação do Morpho saiu em outubro de 2025, após mais de 12 anos de espera e três anos de pressão da atual gestão.
A inglesa BP, que detinha 70% do ativo até 2021, vendeu sua participação para a Petrobras antes da descoberta.
Especialistas pedem agilidade no licenciamento: o professor Edmar Almeida (PUC-Rio) e o diretor Adriano Pires defenderam acelerar autorizações para viabilizar escalas maiores de exploração.
Analistas destacam incertezas comerciais: Ilan Arbetman (Ativa Investimentos) chamou a descoberta de opcionalidade exploratória, sem impacto imediato em preço-alvo; Rivaldo Moreira Neto (A&M Infra) afirmou que o achado pode acelerar leilões e atrair investidores.
A Agência Nacional do Petróleo aprovou em junho a indicação de 86 blocos da Margem Equatorial para a Oferta Permanente de Concessão; oferta efetiva depende de análise ambiental e de Manifestação Conjunta do MME e do MMA.
"Vamos aguardar as análises que serão feitas no Cenpes sobre o óleo", disse Sylvia Anjos; o próximo passo é o resultado dessas análises e a decisão do Ibama sobre as novas licenças.