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Prefeitura de SP barra 11 dos 14 coletivos aprovados no fomento ao teatro

Indeferimento publicado em 9 de junho inviabilizou pagamentos e atingiu 415 trabalhadores e público estimado em 54.180 pessoas.

Redação POLITICA.RS20 de ago. de 2026 · 18h064 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Prefeitura de SP barra 11 dos 14 coletivos aprovados no fomento ao teatro
Reprodução: www.brasildefato.com.br

Prefeitura de São Paulo indeferiu os contratos de 11 dos 14 coletivos aprovados no 46º Programa Municipal de Fomento ao Teatro.

A decisão administrativa, publicada no Diário Oficial em 9 de junho, desclassificou quase 80% dos grupos escolhidos pelo júri técnico e impediu a distribuição de recursos prevista para 243 bens culturais.

O veto afetou diretamente 415 trabalhadores da cultura, impactou um público estimado em 54.180 pessoas e provocou danos financeiros em seis sedes físicas de teatros.

A Secretaria Municipal de Cultura é chefiada por José Antônio "Totó" Parente, na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB); os coletivos dizem ter as contratações negadas mais de dois meses após a divulgação do resultado.

Foram impedidos de receber as verbas os coletivos Mungunzá, Coletivo Comum, Rainha Kong, Estopô Balaio, Cia. Teatral Enchendo Laje & Soltando Pipa, Folias D’Arte, O Buraco D’Oráculo, Motosserra Perfumada, Grupo XIX de Teatro, Companhia da Memória e USO Teatro Urbano.

A Cia. Mungunzá tinha projeto de 12 meses, mobilizaria 86 profissionais e ofereceria 100 apresentações gratuitas; o grupo pretende usar o recurso para organizar acervo histórico e reconstruir o Teatro de Contêiner, desmontado pela prefeitura.

O Coletivo Comum planejava o projeto "TNT – Teatro do Nosso Tempo", com 35 pessoas ao longo de 14 meses, e vê a suspensão do fomento ameaçar o funcionamento do Teatro das Urgências, sala de 60 lugares ativa desde fevereiro de 2025, além de impedir a publicação da 5ª edição da Revista Contrapelo.

O Coletivo Estopô Balaio dependia do fomento para manter a Casa Balaio, oferecer oficinas gratuitas e realizar residências artísticas no Jardim Romano; a Cia. Enchendo Laje & Soltando Pipa planejava o Festival de Teatro de Rua do Grajaú e custear a sede Casa Cultural Lajêro.

Vitinho Rodrigues, fundador da Coletividade Rainha Kong, classificou o indeferimento como "uma negligência da Prefeitura em relação à cultura" e afirmou que o atraso e o veto ameaçam "a sobrevivência do teatro na cidade"; ele também disse que o edital deveria ter sido lançado em agosto de 2025.

Integrante da Cia. Mungunzá, Marcos Felipe afirmou que ser primeiro colocado com pontuação máxima e ainda assim ser desclassificado tem "um impacto danoso" na organização, no planejamento e na saúde psicológica do grupo.

A Prefeitura alegou que a desclassificação ocorreu por uso de assinaturas digitalizadas coladas como imagem nos documentos de inscrição; os coletivos contestam, dizendo que a mesma prática foi aceita em editais anteriores e que houve tratamento desigual em recursos administrativos.

11 — coletivos com contratos indeferidos

14 — coletivos pré-selecionados pela comissão julgadora

243 — bens culturais que seriam financiados

415 — trabalhadores da cultura atingidos

54.180 — público estimado impactado

A Secretaria Municipal de Cultura foi questionada sobre os critérios, os recursos administrativos e o prazo para homologação final, mas não respondeu até a publicação.