Prefeitura de SP barra 11 dos 14 coletivos aprovados no fomento ao teatro
Indeferimento publicado em 9 de junho inviabilizou pagamentos e atingiu 415 trabalhadores e público estimado em 54.180 pessoas.

Prefeitura de São Paulo indeferiu os contratos de 11 dos 14 coletivos aprovados no 46º Programa Municipal de Fomento ao Teatro.
A decisão administrativa, publicada no Diário Oficial em 9 de junho, desclassificou quase 80% dos grupos escolhidos pelo júri técnico e impediu a distribuição de recursos prevista para 243 bens culturais.
O veto afetou diretamente 415 trabalhadores da cultura, impactou um público estimado em 54.180 pessoas e provocou danos financeiros em seis sedes físicas de teatros.
A Secretaria Municipal de Cultura é chefiada por José Antônio "Totó" Parente, na gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB); os coletivos dizem ter as contratações negadas mais de dois meses após a divulgação do resultado.
Foram impedidos de receber as verbas os coletivos Mungunzá, Coletivo Comum, Rainha Kong, Estopô Balaio, Cia. Teatral Enchendo Laje & Soltando Pipa, Folias D’Arte, O Buraco D’Oráculo, Motosserra Perfumada, Grupo XIX de Teatro, Companhia da Memória e USO Teatro Urbano.
A Cia. Mungunzá tinha projeto de 12 meses, mobilizaria 86 profissionais e ofereceria 100 apresentações gratuitas; o grupo pretende usar o recurso para organizar acervo histórico e reconstruir o Teatro de Contêiner, desmontado pela prefeitura.
O Coletivo Comum planejava o projeto "TNT – Teatro do Nosso Tempo", com 35 pessoas ao longo de 14 meses, e vê a suspensão do fomento ameaçar o funcionamento do Teatro das Urgências, sala de 60 lugares ativa desde fevereiro de 2025, além de impedir a publicação da 5ª edição da Revista Contrapelo.
O Coletivo Estopô Balaio dependia do fomento para manter a Casa Balaio, oferecer oficinas gratuitas e realizar residências artísticas no Jardim Romano; a Cia. Enchendo Laje & Soltando Pipa planejava o Festival de Teatro de Rua do Grajaú e custear a sede Casa Cultural Lajêro.
Vitinho Rodrigues, fundador da Coletividade Rainha Kong, classificou o indeferimento como "uma negligência da Prefeitura em relação à cultura" e afirmou que o atraso e o veto ameaçam "a sobrevivência do teatro na cidade"; ele também disse que o edital deveria ter sido lançado em agosto de 2025.
Integrante da Cia. Mungunzá, Marcos Felipe afirmou que ser primeiro colocado com pontuação máxima e ainda assim ser desclassificado tem "um impacto danoso" na organização, no planejamento e na saúde psicológica do grupo.
A Prefeitura alegou que a desclassificação ocorreu por uso de assinaturas digitalizadas coladas como imagem nos documentos de inscrição; os coletivos contestam, dizendo que a mesma prática foi aceita em editais anteriores e que houve tratamento desigual em recursos administrativos.
11 — coletivos com contratos indeferidos
14 — coletivos pré-selecionados pela comissão julgadora
243 — bens culturais que seriam financiados
415 — trabalhadores da cultura atingidos
54.180 — público estimado impactado
A Secretaria Municipal de Cultura foi questionada sobre os critérios, os recursos administrativos e o prazo para homologação final, mas não respondeu até a publicação.