ELEIÇÕES 2026Faltam 15 dias · 2º turnoEleitos →
⌕
Início › Eleições
Eleições

Quem controla o transporte do DF — e para quem ele funciona

Gastos crescentes, contratos renovados e falta de fiscalização deixam passageiros e trabalhadores em segundo plano

Redação POLITICA.RS3 de out. de 2026 · 05h3219 acessos📲 Enviar no WhatsApp
Quem controla o transporte do DF — e para quem ele funciona
Reprodução: www.brasildefato.com.br

O sistema de transporte do Distrito Federal é dominado por operadores privados cujos contratos foram renovados sem nova licitação por mais dez anos.

Os repasses públicos ao sistema saltaram: em 2024 atingiram R$ 1,923 bilhão, e o custo previsto para 2026 é de R$ 2,2 bilhões.

O GDF obteve créditos suplementares para operadoras de R$ 504,9 milhões em 2022 e R$ 142,9 milhões em 2023, aprovados na Câmara Legislativa por 16 votos a 5.

Os contratos de concessão firmados entre 2011 e 2013 foram renovados por mais dez anos sem nova licitação; a remuneração das empresas baseia‑se no número de passageiros e nas viagens declaradas pelas próprias empresas.

Em 2021 o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios questionou na Justiça o pagamento de complementação tarifária por portarias da Secretaria de Mobilidade, sem lei autorizadora.

O metrô do DF transporta em média 160 mil passageiros nos dias úteis, enfrenta sucateamento em 2026 com interrupções e redução de frota, e teve propostas de privatização em 2021 pelo ex‑governador Ibaneis Rocha (MDB), rejeitadas por 60% do eleitorado.

Pesquisas locais mostram que superlotação e tempo de espera nos pontos são os principais problemas; a tarifa zero aos domingos aumentou em 70% as viagens de transporte público.

Trabalhadores rodoviários e metroviários fizeram mobilizações neste período eleitoral, com indicativo de greve, cobrando reajuste salarial, concursos públicos e ajustes de jornada; houve paralisações envolvendo a Viação Marechal e empresas do nordeste do Entorno.

Propostas de sociedade civil no PDTU/PMUS e na Conferência Distrital pedem ampliação de rotas e horários, infraestrutura de pontos de ônibus e integração entre bairros, RAs e municípios do Entorno, mas a mobilidade ativa aparece menos enfatizada nos planos de governo.

A relação entre o GDF e donos de operadoras, e críticas de parlamentares à falta de transparência e manobras contábeis, apontam que interesses das empresas prevalecem sobre usuários e trabalhadores; a governadora Celina Leão (PP) mantém parceria com Edmundo Pinheiro, proprietário da Urbi.

R$ 504,9 milhões — crédito suplementar aprovado em 2022 às operadoras

R$ 142,9 milhões — subsídio aprovado em 2023 por 16 votos a 5

R$ 1,923 bilhão — repasses em 2024

R$ 2,2 bilhões — custo previsto do sistema para 2026

160 mil — média de passageiros diários do metrô em dias úteis

70% — aumento de viagens após tarifa zero aos domingos

60% — eleitores que rejeitam privatização do metrô (2021)

Além das eleições, as alternativas apontadas incluem mecanismos de democracia direta e maior participação de usuários e trabalhadores nas decisões sobre mobilidade.

Texto assinado por João Lucas Machado Campos, Marcela Antonieta Souza da Silva e Paíque Duques Santarém.