Quem controla o transporte do DF — e para quem ele funciona
Gastos crescentes, contratos renovados e falta de fiscalização deixam passageiros e trabalhadores em segundo plano

O sistema de transporte do Distrito Federal é dominado por operadores privados cujos contratos foram renovados sem nova licitação por mais dez anos.
Os repasses públicos ao sistema saltaram: em 2024 atingiram R$ 1,923 bilhão, e o custo previsto para 2026 é de R$ 2,2 bilhões.
O GDF obteve créditos suplementares para operadoras de R$ 504,9 milhões em 2022 e R$ 142,9 milhões em 2023, aprovados na Câmara Legislativa por 16 votos a 5.
Os contratos de concessão firmados entre 2011 e 2013 foram renovados por mais dez anos sem nova licitação; a remuneração das empresas baseia‑se no número de passageiros e nas viagens declaradas pelas próprias empresas.
Em 2021 o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios questionou na Justiça o pagamento de complementação tarifária por portarias da Secretaria de Mobilidade, sem lei autorizadora.
O metrô do DF transporta em média 160 mil passageiros nos dias úteis, enfrenta sucateamento em 2026 com interrupções e redução de frota, e teve propostas de privatização em 2021 pelo ex‑governador Ibaneis Rocha (MDB), rejeitadas por 60% do eleitorado.
Pesquisas locais mostram que superlotação e tempo de espera nos pontos são os principais problemas; a tarifa zero aos domingos aumentou em 70% as viagens de transporte público.
Trabalhadores rodoviários e metroviários fizeram mobilizações neste período eleitoral, com indicativo de greve, cobrando reajuste salarial, concursos públicos e ajustes de jornada; houve paralisações envolvendo a Viação Marechal e empresas do nordeste do Entorno.
Propostas de sociedade civil no PDTU/PMUS e na Conferência Distrital pedem ampliação de rotas e horários, infraestrutura de pontos de ônibus e integração entre bairros, RAs e municípios do Entorno, mas a mobilidade ativa aparece menos enfatizada nos planos de governo.
A relação entre o GDF e donos de operadoras, e críticas de parlamentares à falta de transparência e manobras contábeis, apontam que interesses das empresas prevalecem sobre usuários e trabalhadores; a governadora Celina Leão (PP) mantém parceria com Edmundo Pinheiro, proprietário da Urbi.
R$ 504,9 milhões — crédito suplementar aprovado em 2022 às operadoras
R$ 142,9 milhões — subsídio aprovado em 2023 por 16 votos a 5
R$ 1,923 bilhão — repasses em 2024
R$ 2,2 bilhões — custo previsto do sistema para 2026
160 mil — média de passageiros diários do metrô em dias úteis
70% — aumento de viagens após tarifa zero aos domingos
60% — eleitores que rejeitam privatização do metrô (2021)
Além das eleições, as alternativas apontadas incluem mecanismos de democracia direta e maior participação de usuários e trabalhadores nas decisões sobre mobilidade.
Texto assinado por João Lucas Machado Campos, Marcela Antonieta Souza da Silva e Paíque Duques Santarém.