Restam cerca de 15% dos cobradores de ônibus em Porto Alegre
Lei criada por Sebastião Melo em 2021 previa extinção gradual, com prazo final em 1º de janeiro deste ano

Cerca de 15% do quadro original de cobradores de ônibus ainda está ativo em Porto Alegre, estimativa da Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP).
A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU) diz que 90% das viagens já ocorrem sem cobrador e que apenas 12% dos passageiros pagam em dinheiro.
A lei municipal de 2021, proposta pelo então prefeito Sebastião Melo, proibiu ainda a contratação de novos cobradores para repor vagas e fixou 1º de janeiro deste ano como prazo final para a extinção gradual da categoria.
A ATP e a Prefeitura apontam três causas para a permanência dos remanescentes: linhas muito cheias ou com embarque à esquerda em plataformas; exigência financeira das operadoras de retirar cobradores até dezembro; e estabilidade no emprego de alguns funcionários, especialmente dirigentes sindicais.
Alceu Machado, advogado da ATP, afirmou que “algumas linhas seguem necessitando dos cobradores nesta adaptação”.
O vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários de Porto Alegre (Stetpoa), Sandro Abbáde, disse que o sindicato foi contra a extinção e que aceitará a saída dos remanescentes só se o próximo acordo coletivo trouxer propostas melhores; a data-base é 1º de fevereiro.
Números em empresas: • Nortran — de 200 cobradores originais, 50 ainda atuam, 80 viraram motoristas e 25 assumiram outras funções. • Carris — 28 cobradores. • Auto Viação Presidente Vargas — 1 cobrador, que é diretor sindical. • Nas outras oito empresas, 10 a 15 cobradores em cada.
A Prefeitura diz que a retirada de cobradores e a redução de isenções tarifárias de 14 para sete perfis ajudaram a conter custos do sistema; sem isso, a tarifa técnica poderia chegar a R$ 8,50, ante R$ 5,30 da passagem hoje.
Foram adotadas opções digitais, como o Cartão TRI de Passagem Antecipada gratuito, recargas pelo TRI App e compra avulsa por QR Code.
Operadoras têm compromisso de retirar os cobradores restantes até dezembro; se não cumprirem, arcarão com esses custos sem repassá-los na tarifa.