Só 9% da Frente de Educação destinou emendas; especialista alerta risco à soberania
Professor da USP critica emendas como instrumento de reeleição e cobra reforço do financiamento público para educação

Apenas 9% dos parlamentares da Frente Parlamentar Mista de Educação, ou 20 de 227, destinaram emendas para a área.
O dado levou o professor Daniel Cara, da Faculdade de Educação da USP, a dizer que as emendas viraram mecanismo de reeleição e são “antirrepublicanas”.
Cara afirmou que a bancada se tornou demagógica e atrelada a interesses privados, e que isso reduz a relevância da educação na agenda pública.
Ele alertou que a perda de prioridade na educação põe em risco a soberania, a economia e o direito à educação de crianças, adolescentes, jovens e adultos.
O professor afirmou que as emendas servem “estritamente para garantir a reeleição” e estimou que a Câmara terá cerca de 80% de reeleição na próxima legislatura.
Sobre orçamento, Cara destacou que a Lei de Diretrizes Orçamentárias manteve o patamar de investimento em educação para 2027.
Ele ressaltou que a manutenção só ocorreu por conta da vinculação constitucional de investimentos em educação prevista no artigo 212 da Constituição Federal.
Entre os programas dos presidenciáveis, Cara disse que apenas o do presidente Lula não defende o fim da vinculação constitucional.
Cara defendeu fortalecer o financiamento da política educacional e afirmou que investir em educação é investir no presente e no futuro do país.
O programa Conexão BdF vai ao ar, durante o horário eleitoral, em duas edições de segunda a sexta até 1º de outubro: das 12h25 às 14h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão pelo YouTube.